A prefeitura do Rio começou nas Linhas Vermelha e Amarela, as principais vias expressas da capital fluminense, a instalação das polêmicas barreiras acústicas que separam as favelas das pistas de alta velocidade. As placas de 3 metros de altura vão isolar as favelas e, de acordo com a cúpula da Segurança Pública, também diminuirão os arrastões nas duas vias. Oficialmente, o município afirma que a barreira protegerá os moradores de diversas comunidades da cidade do barulho dos carros e do risco de atropelamentos. Financiado pela concessionária Lamsa, o projeto de R$ 20 milhões cobrirá 7,6 quilômetros com estruturas de acrílico, placas de aço, muros de concreto e placas forradas com isopor. Cada um dos 200 módulos conta com 38 metros de comprimento e 3 metros de altura. O Complexo da Maré será isolado por 1.115 metros de barreiras na altura da Vila dos Pinheiros, e no Parque da Maré a proteção acústica terá 1.080 metros de placas de concreto armado e 220 metros de placas de acrílico, principalmente nos trechos residenciais. As barreiras também vão separar os moradores dos conjuntos habitacionais degradados da Cidade de Deus dos carros que trafegam na Linha Amarela. O debate sobre muros começou no ano passado, com a instalação de eco-limites nas favelas da zona sul carioca, como Rocinha e Dona Marta. Após assumir a prefeitura da capital, Eduardo Paes (PMDB) anunciou a instalação das chamadas barreiras acústicas nas vias expressas. Interpretadas como segregacionistas, as medidas foram criticadas na Organização das Nações Unidas, em maio do ano passado, durante a sabatina feita por peritos da entidade ao ministro de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi. "É uma construção para tornar invisível uma parte da cidade que não é tão maravilhosa.