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BRASIL
Terça-feira, 17 de Fevereiro de 2009, 19h:56

PARLAMENTAR

Assessor encontrado morto em Brasília

ELDER OGLIARI
Da Agência Estado - Porto Alegre
O assessor parlamentar do gabinete do deputado federal Cláudio Diaz (PSDB) e ex-chefe da Representação do Governo do Rio Grande do Sul em Brasília, Marcelo Cavalcante, 41 anos, foi encontrado morto ontem ao amanhecer. O corpo estava boiando no Lago Paranoá, perto dos pilares centrais da ponte Juscelino Kubitschek. Ele estava desaparecido desde sábado. O enterro está marcado para às 10 horas de ontem no Cemitério Campo da Esperança. Cavalcante havia se desentendido com sua companheira e saído de casa na sexta-feira. No domingo, segundo apuraram os investigadores, ligou para ela e para sua filha de 15 anos, do primeiro casamento, falando em fazer uma viagem sem volta. Não ficaram evidências de agressões ou assalto. O Toyota Corolla do assessor parlamentar estava estacionado no acesso à ponte, com documentos e objetos pessoais intactos. Carioca criado em Brasília, Cavalcante foi assessor da atual governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), quando ela era deputada federal. Em 2006 passou uma curta temporada no Rio Grande do Sul auxiliando na campanha dos tucanos para o governo estadual. Em 2007, foi nomeado chefe da Representação do Estado em Brasília. Em junho do ano passado, no auge da crise provocada pela investigação de desvios de R$ 44 milhões do Detran/RS, Cavalcante foi acusado pela oposição gaúcha de receber um telefonema e uma carta do empresário Lair Ferst, um dos réus daquele escândalo, que se dizia alvo de pessoas corruptas. À época, explicou que não levou a correspondência à governadora porque Ferst não apresentava provas do que dizia, e pediu exoneração, que Yeda aceitou, juntamente com a de outros dois secretários e do comandante da Brigada Militar, no dia 7 de junho. Yeda e seu marido Carlos Crusius emitiram diferentes notas de pesar pela morte de Cavalcante. A governadora destacou o trabalho que o "companheiro fiel e exemplar servidor" fez ao transformar o escritório do Estado em ponto de referência para os gaúchos em Brasília. Crusius, por sua vez, enviou mensagem a colegas de partido considerando Cavalcante "vítima do stalinismo" e dizendo que a governadora afastou o ex-chefe da representação em Brasília para preservá-lo da ferocidade dos "abutres da CPI do Detran", que se serviam de gravações "que não diziam absolutamente nada" para "destruir reputações". Considerou ainda que o episódio levou o "menino alegre e expansivo" a uma depressão crescente. O presidente da CPI do Detran, Fabiano Pereira (PT), considerou "inconsequente" a manifestação de Crusius.

Edição EDIÇÃO 16962




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