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BRASIL
Quinta-feira, 06 de Maio de 2010, 21h:21

PAINEL VIOLADO

Arruda ressurge para depor no caso da violação do painel

MARIÂNGELA GALLUCCI
Da Agência Estado – Brasília, DF
Vinte quatro dias depois de ter sido solto, o ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda reapareceu ontem num compromisso na Justiça Federal, em Brasília. Mais magro e bronzeado, Arruda falou sobre a acusação de que teria participado em 2000 da quebra ilegal do sigilo do painel de votação do Senado no processo de cassação do ex-senador Luiz Estevão. À imprensa, ele não quis falar sobre os recentes escândalos de corrupção no Distrito Federal, que o levaram à prisão. Senador na época da quebra do sigilo do painel, Arruda disse que na ocasião estava preocupado com a segurança do sistema de votação porque temia uma eventual manipulação do resultado. Mas garantiu que não ordenou a quebra do sigilo. Para ele, o que é mais danoso à imagem do Senado é a manutenção das votações secretas. "Entendo que o verdadeiro dano à imagem de uma casa legislativa é esconder os votos dos representantes eleitos pela população", disse. Na audiência, Arruda afirmou que na noite anterior à votação da cassação de Luiz Estevão chamou em sua casa a diretora do PRODASEN Regina Célia Peres Borges. Em nome do então presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães, teria falado sobre a preocupação em relação à segurança do sistema de votação na sessão do dia seguinte. O ex-governador e ex-senador disse que perguntou a Regina se ela tinha confiança na segurança do sistema, mas ela teria afirmado que não conhecia e que a operação era terceirizada. Segundo Arruda, Regina teria se comprometido a tomar providências para que não houvesse irregularidades na captação dos votos. Arruda garante que não pediu a Regina a lista de votação No entanto, segundo ele, no meio da tarde do dia seguinte recebeu de seu chefe de gabinete um envelope encaminhado por Regina com a orientação para que fosse entregue a ACM. O chefe de gabinete de Arruda, na ocasião, era Domingos Lamoglia, que no governo Arruda foi alçado ao cargo de conselheiro de Tribunal de Contas do Distrito Federal e apontado pela PF como um dos operadores do mensalão do DEM. O ex-governador e ex-senador disse que abriu o envelope e somente naquele momento teve conhecimento de que se tratava de uma possível lista da votação, com nomes identificados com sim ou não. Arruda disse que foi imediatamente ao gabinete de ACM, onde estavam outros senadores. Segundo ele, ACM teria feito comentários sobre o conteúdo de votos de alguns senadores. Depois da divulgação da quebra do sigilo tanto ACM quanto Arruda renunciaram aos mandatos no Senado. Durante a audiência sobre uma ação de improbidade administrativa existente contra Arruda por causa da violação ao painel, o juiz Alexandre Vidigal de Oliveira, da 20ª. Vara Federal de Brasília, reclamou que o ex-governador não respondeu às oito tentativas que foram feitas pelo Judiciário desde 2006 para marcar a audiência.

Edição EDIÇÃO 16963




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