BRASIL
Segunda-feira, 25 de Outubro de 2010, 20h:22
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DEPOIMENTO
Após seis horas, Amaury é indiciado por quatro crimes
CAROL PIRES
Da Agência Estado Brasília
Pivô do escândalo da quebra de sigilo de dirigentes tucanos e ligado ao chamado grupo de inteligência da pré-campanha de Dilma Rousseff (PT), o jornalista Amaury Ribeiro Júnior foi indiciado, ontem, após seis horas de depoimento na superintendência da Polícia Federal, por quatro crimes: violação de sigilo fiscal, corrupção ativa, uso de documentos falsos, e suborno de testemunha. Ele deixou o prédio da Polícia Federal sem falar com a imprensa. Sem apontar nomes, o advogado dele, Adriano Bretas, disse que o Ribeiro está sendo usado como "bode expiatório" para ocultar fatos apurados "de forma lícita" na condição de repórter. "A defesa dele vê o indiciamento de uma forma positiva, porque agora as especulações a respeito dos fatos vão ser cessadas. Ele vai passar a ser investigado e vai ser esclarecido que ele não cometeu crime algum", comentou Bretas, ao deixar a Polícia Federal. Amaury é investigado pela violação do sigilo fiscal de integrantes da cúpula do PSDB, além de Verônica Serra, filha do candidato à Presidência José Serra. Ele encomendou e pagou, segundo as investigações, pelo acesso ilegal às informações, crime cometido nas agências da Receita em Mauá e Santo André, no ABC paulista. Os documentos acabaram em poder do núcleo de inteligência da pré-campanha de Dilma Rousseff (PT). O jornalista ratificou, ontem, ao delegado Hugo Uruguai, as informações já dadas por ele à Polícia Federal em três depoimentos anteriores, mas silenciou diante das novas perguntas Existem algumas dúvidas a serem esclarecidas sobre as primeiras informações prestadas pelo jornalista como, por exemplo, a fonte dos R$ 12 mil que ele teria pago ao despachante Dirceu Garcia, de São Paulo, em outubro de 2009, para a obtenção ilegal dos dados, e de R$ 5 mil que foram pagos depois, no mês passado, como "cala-boca" para o despachante. O advogado dele informou ontem que o jornalista estava em Manaus quando os R$ 5 mil foram depositados na conta do despachante e que levará provas a respeito do seu paradeiro para encaminhar à polícia. "Ele nega ter pagado qualquer valor e qualquer vantagem indevida para quebrar sigilo ou para fazer o que fosse", disse Bretas.