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BRASIL
Terça-feira, 09 de Novembro de 2010, 19h:27

ACORDO

Aliados dividem cargos e ministérios à revelia do PT

ANDREA JUBÉ VIANNA
Da Agência Estado – Brasília
Um grupo de lideranças dos partidos aliados ao governo selou um acordo na tarde de ontem para delimitar sua participação na futura gestão petista. O movimento foi articulado à revelia do que desejava o presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, escalado pela presidente eleita, Dilma Rousseff, justamente para fazer a interlocução do governo de transição com os partidos aliados. Em reunião conduzida pelo líder do PMDB, deputado Henrique Eduardo Alves (RN), o grupo formado por lideranças do PR, PP e PTB referendou a proposta do vice-presidente eleito e presidente do PMDB, Michel Temer, para que os partidos ocupem no futuro governo o mesmo espaço que já têm na gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Enquanto o grupo se reunia, José Eduardo Dutra recebia o presidente do PP, senador Francisco Dornelles (RJ), para discutir o assunto. O dirigente petista tem reunião agendada com o presidente do PR, senador Alfredo Nascimento (AM), hoje pela manhã. Além de Alves, participaram da reunião que firmou o acordo o líder do PR, deputado Sandro Mabel (GO), e o líder do PTB, deputado Jovair Arantes (GO), além de representantes do PP. O objetivo do encontro era aplacar o desconforto das legendas com o noticiário que nos últimos dias descortinou a ambição dos aliados em busca de maior espaço no governo Dilma Rousseff. Avalizando a proposta de Temer, o PMDB continua com a maior fatia da Esplanada dos Ministérios, enquanto PR e PP se manteriam no controle das cobiçadas pastas dos Transportes e das Cidades, respectivamente. Na conversa com os demais líderes aliados, Alves desmentiu os rumores de que o PMDB reivindicaria a pasta das Cidades para o ex-governador do Rio de Janeiro Moreira Franco ou o Ministério dos Transportes. As duas pastas estão entre as mais concorridas do futuro governo, por causa dos vultosos recursos que receberão do Orçamento da União, devido às obras que administram do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A situação mais delicada é a do PTB, que, dividido, oficialmente apoiou a candidatura de José Serra na disputa presidencial. Entretanto, as bancadas do partido na Câmara e no Senado declararam apoio a Dilma Rousseff, na expectativa de manterem o espaço que restou ao partido, depois que entregou o Ministério do Turismo ao PT.

Edição EDIÇÃO 16967




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