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BRASIL
Terça-feira, 11 de Agosto de 2015, 20h:36

CRISE/PSDB

Aécio Neves nega divisão sobre desfecho da crise

Segundo o tucano, ele e outros caciques acham que saída será vias constitucionais

O presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, após reunião com dirigentes dos 27 diretórios estaduais, negou que haja divergências internas no partido sobre os desfechos da crise política e econômica para a presidente Dilma Rousseff. Segundo o tucano, tanto ele quanto o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin; e o senador José Serra (SP), concordam que qualquer saída deverá se dar pelas vias constitucionais. “Essas divergências em relação ao que pensa o governador Alckmin, eventualmente até o Serra e o Aécio, eu vejo muito na imprensa, não vejo nas nossas conversas. Inclusive, estivemos ontem em Recife, e há uma grande concordância entre nós. Não cabe ao PSDB decidir se essa ou aquela é a melhor saída. Cabe ao PSDB dizer quais são as alternativas possíveis, inclusive a da própria permanência da presidente, se ela readquirir as condições de governabilidade. Muitos dos seus aliados, e gente do próprio PT, acham que isso não é mais possível, como nós vimos, inclusive, em entrevistas com pessoas de representatividade, como o Frei Betto, por exemplo”, disse Aécio. Ele explicou que existem as saídas via Parlamento, a partir de uma decisão do Tribunal de Contas da União (TCU), e a via Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Segundo Aécio, qualquer uma dessas possibilidades, seja via TCU e uma votação pelo Congresso Nacional, seja via TSE, com a cassação do diploma, dependem desses órgãos. “Não precipitamos cenários, não escolhemos cenários. É uma grande bobagem achar que essa saída interessa a A ou B ou a C dentro do partido. O que fez o PSDB foi dizer que, para nós, qualquer que seja o desfecho tem que se dar dentro daquilo que prevê a Constituição”, completou Aécio. NOTA Na reunião com os dirigentes estaduais, Aécio leu a nota que divulgou para responder ao discurso feito pela presidente Dilma anteontem, no Maranhão, dizendo que as pessoas não podem investir no “vale tudo” e que precisam colocar os interesses do Brasil acima dos interesses pessoais. “O Brasil assistiu em 2014 ao maior vale tudo da nossa história. Empresas públicas se subordinando ao interesse da candidatura presidencial. A mentira, o engodo, o falseamento de números e o adiamento da tomada de medidas de interesse da população única e exclusivamente para vencer as eleições. Quem não pensou primeiro no Brasil foi a presidente da República e o seu partido que pensaram exclusivamente nas eleições. E a conta agora chega muito salgada principalmente para aqueles que menos tem. Com desemprego crescendo, com inflação em torno de 10%, os juros na estratosfera e uma perda de renda dos trabalhadores, a maior dos últimos 20 anos”, declarou Aécio. O presidente do PSDB também repeliu acusações de que a oposição esteja agindo para agravar a crise no país. Disse que os partidos da oposição atuam com responsabilidade para que o país possa sair “dessa crise dramática” criada pelo governo da presidente Dilma, mas que a responsabilidade maior hoje de superação da crise é do PT. “Estamos assistindo a algo absolutamente inacreditável. A presidente da República, em determinados pronunciamentos, e setores do governo, querem responsabilizar a oposição pelo agravamento da crise. Essa crise é obra deste governo, é obra consciente da presidente da República porque não tomou, no ano passado, mesmo tendo consciência do seu agravamento, as medidas que poderiam minimizar os seus efeitos para a população. Preferiu vencer as eleições, e agora paga o altíssimo preço de ser uma presidente sitiada, uma presidente que, para participar de um evento público, só pode ir - como aconteceu no Maranhão - com uma claque organizada, onde aqueles que não concordam com o governo não podem participar”, contra atacou Aécio.

Edição EDIÇÃO 16967




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