BRASIL
Segunda-feira, 12 de Maio de 2008, 20h:31
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CPI DOS CARTÕES
Acusado de vazar dossiê pede afastamento
Em depoimento à PF, o assessor do senador Álvaro Dias, André Fernandes, informou ter recebido de Aparecido dados sobre gastos do ex-presidente FHC
VANNILDO MENDES, SÔNIA FILGUEIRAS e EUGÊNIA LOPES
Da Agência Estado Brasília
Quatro dias depois de ter sido apontado como o responsável pelo vazamento de um dossiê contendo gastos pessoais do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o secretário de Controle Interno da Casa Civil, José Aparecido Nunes Pires, pediu ontem afastamento do cargo. Apesar das ameaças veladas de que poderia revelar a cadeia de comando da confecção do dossiê, Aparecido se comprometeu com o governo a não sair atirando. Em troca, o Planalto garantiu que ele não será responsabilizado criminalmente pelo vazamento das informações, embora nem a Polícia Federal nem a Casa Civil tenham concluído as investigações. Sua punição vai se resumir a uma sanção administrativa. Aparecido retornará ao Tribunal de Contas da União (TCU), onde é funcionário de carreira. Nos últimos dias, uma força-tarefa formada por ministros e assessores especiais de Lula foi escalada para acalmar o secretário de Controle Interno da Casa Civil e fazer um acordo com ele. Além de negar que tenha vazado os dados do dossiê para André Fernandes, assessor do senador Álvaro Dias (PSDB-PR), Aparecido disse, em conversas reservadas, que não seria defenestrado sozinho. Afirmou a amigos que a ordem para a confecção do dossiê partiu da secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra, que, por sua vez, cumpria determinação superior. A negociação para a saída de Aparecido envolveu vários auxiliares de Lula e chegou a provocar impasse. Até o início da noite, Aparecido não aceitava assumir sozinho toda a responsabilidade pelo vazamento e muito menos poupar Erenice. No fim da tarde, antes de saber do impasse, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), anunciou que o secretário já havia pedido demissão do cargo na Casa Civil. "Pelo que eu sei, ele não está mais no Palácio do Planalto", disse Jucá. ASSESSOR Em depoimento de cerca de três horas prestado ontem à Polícia Federal, o assessor do senador Álvaro Dias (PSDB-PR), André Fernandes, informou ter recebido do demissionário secretário de Controle Interno da Casa Civil, José Aparecido Nunes Pires, os dados sobre gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e da ex-primeira-dama Ruth Cardoso. Ele afirmou ao delegado Sérgio Menezes, encarregado do inquérito, que os dados vieram em duas mensagens anexadas num só e-mail, no último dia 20 de fevereiro. André disse ter ficado perplexo com os dados, os quais considerou uma espécie de ameaça velada, e os repassou ao senador, por dever funcional, segundo ele. Hoje será a vez de Aparecido contar a sua versão. Em caráter sigiloso, o depoimento de André começou às 15h30 e se estendeu até as 18h30 na Superintendência da PF. Nem o advogado do assessor teve direito a ficar com cópia do depoimento. Segundo André, os dados sobre os gastos da Presidência no governo FHC vieram em forma de planilha, dentro de um arquivo eletrônico. Ele disse à PF, conforme relato do advogado, que não pediu nada a Aparecido e que ficou num misto de surpresa e preocupação.