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BRASIL
Segunda-feira, 04 de Junho de 2007, 19h:50

LULA

A crise aberta por Hugo Chávez está sem solução

DENISE CHRISPIM MARIN
Da Agência Estado - Nova Délhi
A conversa de anteontem entre o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e o embaixador do Brasil no país, João Carlos de Souza-Gomes, não foi suficiente para encerrar a crise aberta pelas declarações do venezuelano contra o Congresso brasileiro. Ontem, durante a visita oficial à Índia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou claro que o assunto está sem solução e que voltará à pauta diplomática do governo quando ele regressar ao Brasil - o que ocorrerá somente na manhã de sábado. O ministro das Relações Exteriores brasileiro, Celso Amorim, também sinalizou que a "nuvem" nos contatos bilaterais ainda não passou. "Deixa eu voltar ao Brasil para eu resolver isso (as críticas de Chávez ao País)", afirmou Lula, na saída do Memorial ao Mahatma Gandhi, líder espiritual indiano e da independência do país, que pregara a paz e a não-violência. A crise bilateral começou na semana passada, quando o presidente da Venezuela reagiu, publicamente, à aprovação, pelo Senado brasileiro, de uma moção de censura contra a decisão de não renovar a concessão à emissora Rádio Caracas de Televisão (RCTV). Chávez enviou os "pêsames" ao povo brasileiro por contar com um Legislativo que "repete como um papagaio" a posição do Parlamento dos Estados Unidos sobre a Venezuela. O presidente brasileiro respondeu com uma nota dura, divulgada pelo Itamaraty na sexta-feira, em defesa das instituições brasileiras. Também ordenou a convocação do embaixador da Venezuela no Brasil, general Júlio García Montoya, para prestar esclarecimentos. Ontem, o presidente venezuelano insistiu que o Congresso brasileiro havia emitido um "comunicado grosseiro", fato que o levara a responder. “INCÔMODO” Amorim relatou ontem que, durante o telefonema de Chávez a Souza Gomes, o presidente venezuelano demonstrou ter percebido o "incômodo" diplomático causado à administração federal brasileira pela forma como criticou o Legislativo. Em nenhum momento, o ministro das Relações Exteriores da Venezuela ressaltou o conteúdo dessas censuras ou o entorno político que permitiu que se tornassem públicas. Souza-Gomes mostrou-se alinhado à receita do Executivo brasileiro de que é melhor esfriar o caso, pelo menos por enquanto. Em especial, porque Lula e Chávez deverão compartilhar a mesma mesa, no fim de junho, durante a Reunião de Cúpula do Mercado Comum do Sul (Mercosul), em Assunção.

Edição EDIÇÃO 16967




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