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BRASIL
Sexta-feira, 16 de Novembro de 2007, 18h:04

SÃO PAULO

60% não concordam com 3.º mandato

ANNE WARTH
Da Agência Estado - São Paulo
A maioria dos moradores da cidade de São Paulo é contrária à idéia de um terceiro mandato que permita ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva disputar, mais uma vez, a reeleição em 2010. Uma pesquisa feita pelo Instituto Toledo & Associados, com 1.004 eleitores de todas as regiões da capital paulista, indica que 60% dos entrevistados não concordam com uma proposta de emenda constitucional (PEC) que torne possível a reeleição para um terceiro mandato no governo. Outros 36% mostraram-se favoráveis à mudança, 3% disseram ser indiferentes e 1% não soube ou não quis responder à pergunta. Com base nos critérios de classificação socioeconômica da Associação Brasileira de Institutos de Pesquisa de Mercado (Abipeme), o levantamento mostrou que a maior parte dos homens (57,5%) e das mulheres (62,2%) mostram-se contra o terceiro mandato. Também entre as diferente classes sociais, a proposta é rejeitada, embora entre as classes A e B - 80% e 65%, respectivamente - a desaprovação seja maior do que a registrada entre as C e D - 56% e 50%, respectivamente. Já entre diferentes níveis de escolaridade, a discrepância dos resultados da pesquisa é bem maior. A maioria dos analfabetos (73%) e eleitores com até o ensino fundamental incompleto (1.º grau) ou completo é favorável à reeleição para a terceira gestão - 44% e 37%, respectivamente. Os moradores da capital com ensinos médio completo e superior e pós-graduação, mestrado ou doutorado rejeitam a PEC - 61%, 77% e 83%, respectivamente. Entre as regiões do município, a objeção à idéia é maioria, mas registra algumas discrepâncias. Na zona oeste, 70 4% dos moradores disseram ser contrários ao projeto; na zona norte, o porcentual foi de 65,7% dos entrevistados; no centro, 61,9%; na zona sul, 58,2%, e na leste, 55,8%. CPMF A Toledo & Associados perguntou também a opinião dos entrevistados com relação à prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). A grande maioria (85%) mostrou-se contrária à idéia, 11% disse ser a favor da dilação da CPMF, 3% manifestaram indiferença e 1,5% não soube ou não quis responder. Diferentemente da questão sobre o terceiro mandato, houve pouca diferença entre as opiniões dos entrevistados em relação à contribuição. A maioria dos homens (82%) e mulheres (87%) é contra o alongamento do imposto. Entre as classes sociais, as opiniões também convergiram - 85,7% entre a A; 88,2% na B; 83,7% na C e 78,4% na D. A maioria dos analfabetos (67%) e entrevistados com ensino fundamental incompleto (76%), completo (85%), médio completo (85%), superior (89%) e a totalidade dos eleitores pós-graduados mestres ou doutores são contra o prolongamento do tributo. A maioria dos moradores de todas as regiões da capital também não quer a continuidade da cobrança da CPMF - 86,5% dos da zona leste, 86,1% da norte, 85,9% da oeste, 83,3% no centro e 81,7% da sul. Para o sócio do instituto Francisco Toledo, os resultados sobre o terceiro mandato foram surpreendentes. "Eu fiquei um pouco surpreso pelo fato de termos 36% da população concordando com o terceiro turno. É um índice alto, ainda mais se compararmos com a opinião sobre a prorrogação da CPMF, em que 85% da população é contra", disse. Mas as divergências entre nível de escolaridade e classe social eram esperadas por Toledo. "São os extremos da população. Os mais pobres foram beneficiados por programas como o Bolsa Família e acreditam que isso continuará se o presidente Lula continuar na Presidência da República. Mas os de mais alta escolaridade são totalmente contra o terceiro mandato", acrescentou.

Edição EDIÇÃO 16969




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