Estes meses de formaturas nas universidades lembram as insuportáveis vuvuzelas da África do Sul. Não é exagero, os estridentes apitos e as insuportáveis buzinas de ar comprimido aqui de nossas festas de colação de grau não perdem em insensatez para as agora famosas cornetas usadas na copa passada. Lá na África, os organizadores do evento esportivo, não quiseram proibir o uso das ditas cornetas, baseados no argumento que aquele comportamento era uma manifestação cultural daquele povo. Vá lá, conceda-se. Por primitivo que o mundo dito civilizado julgue aquele hábito, se eles, os sul africanos, gostam daquela algazarra, não há mesmo razão para proibir o uso daqueles instrumentos para agradar os visitantes. Agora, uma coisa não dá pra discutir: é realmente um hábito primitivo, que um dia, certamente, pelo andamento natural do processo civilizatório, será abandonado. À medida que a civilização vai sofisticando, cada vez mais se respeita o direito dos outros e o bem estar geral. Mas as vuvuzelas de Cuiabá não têm nada de aspecto cultural de um povo. São, sem dúvida, o resultado indesejado da leniência de nossas universidades, que transformaram as outrora solenes cerimônias de colação de grau, em uma bagunça generalizada, onde uns poucos divertem às custas do incômodo de todos os outros. Não pensem que este é um procedimento comum às festas de formatura de todas as faculdades do país.Não, não é. Nas universidades mais tradicionais do sul e do sudeste não se permite corromper a liturgia da cerimônia com manifestações de incivilidade. As instituições de ensino tomam pra si a responsabilidade de proibir a presença de buzinas, apitos e que tais. O cerimonial oficial já avisa que tais manifestações não são permitidas naquela momento, impedindo ainda a exposição de faixas e cartazes. Mesmo nos bailes, onde o clima é menos formal, é uma raridade ver as tais cornetas. Até os poucos que as sopram, rapidamente deixam de fazê-lo, ao observar a cara de contrariedade dos demais. Este costume grotesco que os paus rodados implantaram aqui na nossa capital já tarda em desaparecer. Não se trata, claro, de supor que os habitantes do sul ou do sudeste do país sejam mais civilizados que nós aqui do Centro-Oeste. A culpa é unicamente das universidades locais, que teimam em ignorar as mais simples regras de convívio social. Não dá pra entender a razão que as faz permitir a deturpação de um ato tão solene, transformando um momento de rara beleza em uma disputa de torcidas organizadas de campo de futebol. Não é verdade que as universidades retratam o grau de evolução de um povo e que, portanto as festas aqui seriam a manifestação da alma Cuiabana. Ao contrário, elas (as faculdades) é que devem contribuir para sedimentar a prática do respeito mútuo, sinal maior de estágio avançado do processo de civilização de uma comunidade. Os membros das comissões de formatura deveriam pensar nisso e exigir das faculdades que não transformem em esculhambação um ato tão cheio de símbolos como a colação de grau. RENATO DE PAIVA PEREIRA - pau rodado, empresário
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