Ontem mais uma mulher foi vítima da violência em Mato Grosso. Em Alto Taquari, no interior do Estado, a juíza Glauciane Chaves de Melo foi morta com dois tiros na cabeça, pelo ex-marido dentro do Fórum. Mais uma vida que se perde em meio a de tantas outras mulheres que diariamente são agredidas e até mortas por seus maridos, ex-maridos, namorados, companheiros, pelo Brasil afora. A Lei Maria da Penha, que está prestes a completar sete anos, trouxe um pouco de alento às mulheres. Porém, os números da chamada violência doméstica ainda são elevados, são muitas as mulheres que ainda continuam sendo vítimas de agressões. No ano passado, ao menos 20 mulheres foram mortas, na Grande Cuiabá, quase todas vítimas de parceiros inconformados com o fim de seus relacionamentos. O histórico das mulheres vítimas da violência doméstica tem na maior parte das vezes algo em comum: uma rotina de maus-tratos e humilhações praticada por seus agressores, que muitas relevam por acreditar que são fatos passageiros, e outras não denunciam por temor às suas vidas. O que começa com uma simples discussão vai se intensificando até culminar com a agressão fatal, principalmente quando a vítima resolve abandonar o agressor que não admite que ela se liberte do cativeiro, da vida de pesadelo. É o machismo arraigado que predomina, o sentimento de posse que dá direito sobre a vida do outro. Depois da vida ceifada, justifica: matou por amor. Mas quem ama, não mata. Ou mata? Pelo menos não deveria, jamais. A dura realidade das estatísticas, no entanto, nos mostra que em muitos casos quem ama, mata. Não se mata por amor, é verdade; mata-se, sim, por vingança, machismo, ciúmes e outros motivos torpes que não se enquadram como amor. A impunidade ainda é um grande obstáculo a ser vencido no combate à violência contra as mulheres. Embora a Lei Maria da Penha seja de grande ajuda para melhorar o índice de denúncias - desde que foi criada, cada vez mais as mulheres estão denunciando seus agressores buscando por justiça - ainda assim parece haver uma barreira que impede um avanço maior para penalizar aqueles que cometem este tipo de violência. O Judiciário ainda processa os casos com muita lentidão e há também muito machismo e preconceito entre delegados e juízes, que tendem a classificar a violência contra a mulher como um assunto de foro íntimo, relegado a um segundo plano diante de outras questões. Precisamos mudar esse quadro com urgência, fazer valer a lei contra os agressores. O número de assassinatos de mulheres no país ainda é alto e isso mostra que a impunidade continua prevalecendo. É preciso mudar essa cultura machista, que faz com que sociedade encare a vítima como culpada, como se merecesse ser agredida. Quem ama, definitivamente, não mata, não maltrata. TÂNIA NARA MELO é editora de Opinião do Diário tâ
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