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ARTIGO
Quinta-feira, 24 de Julho de 2008, 21h:17

TÂNIA NARA MELO

Vida efêmera

Uma longa batalha que muitas vezes termina antes mesmo de começar. Assim é no Brasil a luta pela vida dos pacientes que sofrem de doenças crônicas e necessitam tratamento contínuo ou mesmo de um transplante. Quem faz tratamento sabe o alto preço que se paga pelos remédios, e nem todos podem arcar com esses custos. Quem precisa de transplante tem que enfrentar a espera pela doação do órgão, e esse tempo de espera é longo. São anos de espera e, em alguns casos quando ocorre a doação já é tarde demais. Mas eles, com certeza, nunca perdem a esperança. E enquanto um bom número desses pacientes crônicos luta pela chance de estar vivo, e se agarra com todas as forças a qualquer oportunidade que lhes é oferecida, muita gente – a grande maioria jovens e adolescentes - joga a vida fora, literalmente. O pouco apego e a falta de sentido visualizada em boa parte de suas ações faz com que encontrem abrigo fácil no álcool e nas drogas. É dessa forma que encurtam suas vidas, - às vezes lentamente, outras nem tanto - e muitos nem se dão conta disso. Tudo é muito efêmero para eles, pois precisam estar sempre com a adrenalina a mil, e isso exige motivação constante. O que, convenhamos, não é tarefa das mais fáceis. É triste constatar que 63% dos pacientes que estão na fila de espera por um transplante morrem antes de encontrar um doador, e mais triste ainda ver que o álcool e as drogas estão matando nossos jovens antes mesmo que eles completem 25 anos, principalmente porque a cada dia eles aderem mais cedo a essa via de mão única. E mais, que há sempre uma nova droga chegando ao mercado, e com um poder de destruição cada vez maior. Ao contrário daqueles que se agarram a todas as chances de sobrevida, esses jovens e adolescentes se desfazem das suas como quem se desfaz de um objeto que não se quer mais. O gosto que têm da vida é meio amargo, ou melhor: não tem gosto nenhum. Talvez devessem fazer um pequeno estágio com aqueles que estão à espera de uma chance para viver. Quem sabe assim... TÂNIA NARA MELO é jornalista

Edição EDIÇÃO 16966




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