Estou de férias do computador que me trás muitas alegrias e ao mesmo tempo é uma fabrica de tristezas. Prometi que antes do dia dez não abriria meus e-mails por nenhum motivo. Não consegui cumprir a promessa e abri antes do tempo. Para minha alegria deparo com um e-mail do meu querido colega Pablo Berticelli, como sempre iluminado pela luz Divina. O título do e-mail é; assim ficará Cuiabá em 2014. Uma bela montagem das obras de infra-estrutura que Cuiabá receberá nestes próximos anos. Vi uma vez, voltei, vi a segunda, a terceira e antes de dormir uma vez mais. Confesso-lhes que demorei em pegar no sono. Como eu, milhares de amigos que passamos nossa infância nesta cidade, que há 30 anos atrás ninguém aceitaria passar umas férias por aqui com tudo pago se tiverem acesso a esse e-mail, por certo sentirão e ficarão como me senti e estou me achando, o mais toceira da cidade. Toceira na nossa juventude era o menino metidinho, aquele que anda com a gola da camisa levantada, limpa a cadeira antes de sentar, usa óculos escuros à noite, tem o melhor carro etc etc. Como ver essa montagem maravilhosa das obras que a Copa nos deixará, sem se emocionar? Eu que pelotei passarinho em vários locais que receberão trincheiras, viaduto, brt etc imaginei se algum dia essa transformação chegou a ser imaginada por mim. Claro, até que poderia um dia ser realidade porem esse dia estava muito longe. Vi como ficará o trevo do Bairro Santa Rosa e imaginei anos atrás desfilando eu com minha bicicleta monarck a caminho do Pari a beira do Rio Cuiabá e hoje preste a se transformar em uma obra fantástica. A velha ponte do Rio Coxipó recebendo um enorme viaduto nem parece aquela que eu Enio Carvalho e Augusto, atravessávamos dentro de uma fubica perseguido quase sempre pelo jipe do Tuca (Delegado de Polícia), pois nenhum de nós tínhamos carteira de motorista, comendo uma poeira sem fim desde a descida do saudoso pico do amor, para tomar banho no Coxipó. Subir a Avenida da FEB nas proximidades da Fiat, conhecido antigamente como morro do tambor, era uma façanha. A mesma poeira do Pico do Amor era a do Morro do Tambor. Asfixiava qualquer um. Lembro-me que quando a gente ia desse lado, minha mãe molhava uns panos velhos e os colocava no assoalho junto à porta para diminuir o estrago. Os carros não tinham ar condicionado. Para lá está reservado um enorme e maravilhoso trevo. Que poeira, que calor que nada, no meio desfilará imponente o famoso BRT com pista de ida e volta. Fiquei matutando se serei eu um dos escolhidos por Deus para ver tudo isso. Será que Jesus me dará essa chance? Não sei, mas pedirei a Ele para onde resolver me colocar, que se merecedor for, permita-me estar entre os cuiabanos orgulhosos, satisfeitos e toceiras do avanço espetacular a nós reservados e permitir que eu curta um pouquinho desse prazer, pois quem come o osso merece um pedacinho do filé! Não há um sequer que viveu Cuiabá como eu vivi que não terá no peito e no semblante o orgulho de nunca ter deixado a luz se apagar por aqui enquanto muitos conterrâneos ainda insistem em torcer contra. Minha querida Cuiabá, você vai, com a torcida da maioria, ocupar o lugar que seus filhos, aqueles que realmente te amam, sempre almejaram para você. * EDUARDO PÓVOAS, cuiabano
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