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ARTIGO
Quarta-feira, 17 de Outubro de 2012, 22h:27

ROSIVALDO SENNA

UTI: uma luta pela vida

Unidade de Terapia Intensiva. Ou, caso queira, CTI. Centro de Tratamento Intensivo. Seja qual foi a nomenclatura, trata-se de um local num hospital, ou qualquer unidade de tratamento de enfermo com estado de saúde muito grave. “Ih, fulano está na UTI? É, a situação é grave! Desta vez, não ele não escapa. Tem tudo para passar desta para outra “melhor”! Mas nem sempre é ou foi assim. A unidade, como a própria situação requer, é composta por médicos e enfermeiros capacitados e adequados para este tipo de atendimento. A pior parte, ou trauma, fica para aqueles pacientes que não estão tão graves e lúcidos. Na Amecor, como em outros hospitais, a coisa não é diferente. É gente agonizando, morrendo, familiares chorando ou pedindo por clemência. Um corre-corre frenético de médicos e enfermeiras (os) que fazem o possível e o impossível para salvar vidas. Preciosas vidas! E na maioria das vezes, Deus atende. Quando isso acontece, eles (médicos e enfermeiras, comandados pelos médicos Ubirajara e Osvaldo, e até os pacientes) vibram e oram. Nem a convivência com este tipo de situação no dia a dia os deixou menos emotivos, nem menos humanos. Afinal, são pessoas como nós, sujeitas às intempéries da vida, como o caso da enfermeira Cynthia, que numa fatídica noite de trabalho recebeu na Amecor, onde trabalha até hoje, suas filha de apenas 15 anos à beira da morte. Vítima de um assalto, ela levou cinco facadas de um crápula, que feito o “serviço”, desapareceu na escuridão. Mas Deus foi mais forte e hoje, três anos após o fato, leva uma vida normal. Mas o trauma permanece. Com isso, a fé e a esperança se renascem a cada dia. É uma experiência única, onde a vida e a morte se confundem. Tudo é resolvido, ou atendido, em questões de segundos. E toda essa dança frenética pela vida ainda esbarra na falta de material básico para vários procedimentos, que na maioria das vezes são superados pelo improviso, criatividade e ‘jogo de cintura’ de médicos e enfermeiros. E tudo isso em nome da vida. Sem contar a agonia de pacientes, médicos e familiares no aguardo de deliberação, urgente, por parte dos planos de saúde, para sequência do tratamento. “Olha, infelizmente você vai morrer porque o MT Saúde não está pagando”. Daí pra frente você está nas mãos do hospital que, no sagrado dever de salvar vidas, busca uma alternativa para fazer o tratamento. Mas nem sempre isso acontece. Principalmente para os menos favorecidos financeiramente, que impotentes, ficam à mercê da boa vontade dos outros. Há também as exploração dos enfermeiros, que são obrigados a trabalhar dois ou até em três serviços para dar um mínimo de dignidade à sua família. Mas nem tudo está perdido. Graças a esses dedicados profissionais, que com muito amor e dedicação buscam aliviar nossa dor, como medicamentos na hora certa, bom humor e nos tratando como um membro da família, seguimos fortes na fé em Deus, em busca da recuperação. Nosso objetivo não foi apenas relatar parte do que acontece na UTI de um hospital. Foi, sim, mostrar a fragilidade que marca a vida humana e tentar enfiar na cabeça daquele que se considera um “superdeus” que ninguém está acima de ninguém. E que podemos ser mais humanos sem ter que passar por quaisquer tipos de provação. Você não precisa passar pela UTI para ser mais humano! Não querendo desmerecer quaisquer profissões, pois todas são dignas e importantes, está na hora desde governo, que caiu de paraquedas, que ao invés de se preocupar com saúde do povo está querendo tirar a responsabilidade dos ombros privatizando a saúde pública e, consequentemente, o MT-Homocentro, olhe com respeito tanto para os pacientes como para os profissionais da área. Afinal, estamos falando de vida. Em vida! ROSIVALDO SENNA é jornalista em Cuiabá [email protected]

Edição EDIÇÃO 16967




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