Há o caso do professor de um curso de engenharia, que deu zero ao aluno por apresentar o resultado final de uma prova, depois de elaborado cálculo matemático, com a vírgula mal colocada. Onde deveria dar 0,1 deu 0,01. A explicação do professor foi que um engenheiro trabalha com precisão, não pode cometer esses erros. Não basta saber a fórmula, o cuidado com o resultado final é determinante. Aconteceu, provavelmente, essa imprecisão no viaduto que caiu em Minas. Conforme aponta a perícia a obra tinha somente 10% da ferragem necessária. Onde deveria aplicar, digamos, 10 kg de ferro, só puseram um. Aqui em Cuiabá houve também um erro de cálculo no viaduto da Sefaz. Não nas mesmas proporções daquele, mas foi interditado, depois de muitos meses de uso, para receber os reforços necessários. Ali, depois de ser liberado para o trânsito de veículos apareceram fissuras ou trincas que indicavam problemas na obra. A partir desses casos o medo se generalizou. Agora não querem liberar o trânsito na trincheira do Santa Rosa alegando que faltam alguns estudos geológicos, licenças ambientais e teste de esforço. Cachorro mordido de cobra, tem medo de linguiça diz o ditado popular. Mas extrapolar a tragédia de Minas e o problema do viaduto da Sefaz para a realidade da Trincheira do Santa Rosa tem sinais de zelo excessivo. O tal teste de esforço a meu ver já foi feito. Faz mais de 90 dias que a última parte da via superior foi liberada para uso, com um fluxo de carros mais que o dobro do que será no seu funcionamento normal. Como a parte de baixo está interditada todos os carros passam pelas laterais forçando as paredes com seu peso. Se até agora, com o dobro de carga, não apareceram sinais de fragilidade, parece óbvio que o teste de esforço está concluído com sucesso. A lógica sugere que também o tal estudo geológico já está superado mediante a prova verdadeira que é a do uso. Quanto às licenças, são pura burocracia. Nada impede que sejam apresentadas independentemente da liberação da obra. Isso é problema entre a Secopa, Sema e MP. Não convém punir o povo pelas falhas que a burocracia cometeu. Este tipo de construção, a não ser no caso absurdo de usar somente 10% do material necessário, dá sinais de fragilidade muito antes de apresentar risco iminente de desabamento. O viaduto da Sefaz, onde foi usado somente 60% da ferragem exigida disparou o alarme a tempo de tomar as medidas necessárias. Algumas pessoas, buscando a fama de 5 minutos, alardeiam perigos, assustam a população e os promotores dão espaço a elas, pedindo comprovações a meu ver desnecessárias. O MP poderia ouvir engenheiros da Secopa, da empreiteira e, principalmente, profissionais independentes, sem vinculação política/partidária e, se for o caso, autorizar a liberação do trânsito, beneficiando milhares de pessoas que ficam presas nesse engarrafamento todos os dias. O bom senso e a praticidade poderiam resolver uma série de falsos problemas que emperram os órgãos públicos. *RENATO DE PAIVA PEREIRA - empresário e escritor
[email protected]