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ARTIGO
Terça-feira, 08 de Julho de 2008, 21h:02

ONOFRE RIBEIRO

Três anos depois de Dante

Sinto que não poderia deixar de registrar neste espaço os três anos sem o ex-governador Dante de Oliveira, falecido em 6 de julho de 2006, depois de uma brevíssima doença. Entrou no hospital em Cuiabá andando e saiu morto, horas depois. Aos 54 anos ainda era moço demais para morrer e para deixar a política. Até mesmo porque precisava construir lideranças que o substituíssem na política. Políticos que alcançam a posição de estadista terminam por construir estilos de ação que precisam ser passados adiante pelo amadurecimento e não pela simples imitação. Era o caso de Dante. De candidato derrotado a vereador em 1976, chegou a deputado estadual em 1978, a deputado federal em 1983, quando foi o autor da famosa emenda das Diretas-Já, a prefeito de Cuiabá por duas vezes, ministro da Reforma Agrária em 1985, governador em 1995 e reeleito em 1998. Derrotado ao Senado em 2002, ficou sem mandato até 2006, quando morreu. Um pouco de sua morte correu por conta do ostracismo político. Estava no auge político em 2002, quando afastou-se do governo para concorrer ao Senado e ser derrotado inesperadamente. A perplexidade pela derrota minou o seu estado de espírito. Tivemos muitas conversas nesse período. Sem lamentações, mas machucado. Tinha a certeza e a convicção de que voltaria à política, porque esse sempre fora o seu ofício. Era só uma questão de tempo. Mas a morte tirou-o de cena antes que se recuperasse politicamente. A urgência de sua morte não deu-lhe tempo para construir lideranças substitutas. O governador Blairo Maggi substituiu-o no governo com um estilo político completamente diferente. A comparação desfavoreceu-o no primeiro momento. A sociedade também se posicionou em represália a Dante. Hoje, passados esses seis anos desde a derrota de 2002, penso que a posição da sociedade era um puxão de orelhas no político que representava a tradição de Mato Grosso. As pessoas não o odiavam. Deram-lhe um tempo para refletir sobre as suas gestões e a sua vida política. Nesses três anos de sua morte, reinou profundo silêncio sobre Dante de Oliveira. O seu partido, o PSDB, enfraqueceu muito. A política partidária de Mato Grosso também enfraqueceu como nunca. Ficamos todos à deriva e sem um indicador de aglutinação. Pode ser que nem fosse Dante a fazer essa aglutinação. Mas ele poderia norteá-la porque tinha experiência política para isso. O governador Blairo Maggi chegou ao governo e se reelegeu sem o DNA da política partidária que movesse multidões e se confrontasse com momentos determinantes da sociedade. Mesmo no segundo mandato continua governando em águas calmas. Não tem oposição e não sofre cobranças às quais não possa responder. Parece que sairá do governo no fim de 2009 sem uma construção político-partidária. Deixará um estado em franca transformação econômica e estratégica. Mas não construirá um projeto político porque já não tem tempo suficiente. Aqui faz falta Dante de Oliveira como um polemizador e aglutinador de teses políticas. Obviamente, Mato Grosso não vai parar sem ele. Mas ninguém nunca poderá dizer como as coisas estariam se Dante ainda vivesse! * ONOFRE RIBEIRO é articulista deste jornal e das revistas RDM e Centro-Oeste [email protected]

Edição EDIÇÃO 16969




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