O empresário Edgar Teodoro Borges, sócio da Agrimat, uma das construtoras rodoviárias mais antigas no estado, disse-me ontem que esteve nesta semana em Brasília conversando com Luiz Antonio Pagot, diretor do DNIT. Da conversa, independente de tudo o mais que foi tratado, Edgar trouxe a recomendação de Pagot é preciso que os mato-grossenses tirem o pé do chão. Traduzido, isso significa gestões dos interesses estaduais em todos os níveis. Outra frase digna de registro foi: as coisas têm que começar lá nos municípios e no estado, para acontecerem aqui em Brasília. De fato, o Dnit é uma baleia que demora a manobrar a cauda e lida com uma coisa cíclica que é o tempo. Onde as coisas emperram tem sido nos setores de projetos tanto em Brasília como nas unidades estaduais, as chamadas Units. Exemplos não faltam. Na rodovia BR-163, entre Várzea Grande e Jangada, um trecho de 32 quilômetros de recuperação gastou quatro anos no lengalenga da aprovação e, quando saiu, já não representava mais a realidade. Aí começa outra longa novela para readequar e a rodovia vai se acabando a cada dia. Mas problemas semelhantes pegam também a BR-070 e a BR -163 porque os projetos não andam. A idéia é que a Unit acelere e pegue no pé dos projetistas senão o tempo passa e as obras não saem. Pagot diz que é responsável pelas áreas terrestre, ferroviária e hidroviária do país todo. Não dá para descer a detalhes de Mato Grosso. Por isso é importante que as coisas aconteçam aqui e lá, diz ele, eu faço acontecer. A esse respeito garantiu que vai ampliar a autonomia da Unit de Mato Grosso, considerada por ele uma das melhores estruturadas. Mas admite que a base precisa dobrar, senão a monotonia mantém o ritmo da lentidão. Em Brasília tem-se que os maiores causadores de dificuldades no setor da infra-estrutura são o Ibama e a Funai. Para isso foi criada uma comissão especial para conversar permanentemente com órgãos assim, havendo ou não problemas, para que as obras não atrasem ou paralisem por falta de uma certidão ou de uma assinatura que os burocratas tanto amam e fazem questão. Havendo problemas ou não, eles conversam todas as semanas, disse Pagot a Edgar. No conjunto da gestão nacional do DNIT, a percepção, disse Pagot, está na necessidade de fortalecer as bases para que as Units ajam mais depressa e resolvam problemas que se caírem na central em Brasília, entram numa fila infinita. Por isso, a Secretaria estadual de Infra-estrutura, por exemplo, tem que acelerar o que for de interesse, agir junto com a Unit estadual, sob pena de passar o tempo e nada acontecer num estado onde justamente a logística é o seu principal calo e que tanto lutou e sofreu para ter um mato-grossense dirigindo o órgão. Aí, realmente, cabe a recomendação: os mato-grossenses precisam tirar o pé do chão. * ONOFRE RIBEIRO é articulista deste jornal e da revista RDM
[email protected]