ARTIGO
Quinta-feira, 18 de Dezembro de 2014, 20h:15
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BENEDITO PEDRO DORILEO
Símbolos principais do Natal
Somente a partir do século II, a igreja cristã considerou particularmente a encarnação de Jesus, após debater-se com heresias ligadas à representação da pessoa de Cristo, humana e divina ao mesmo tempo. Costumes e tradições populares estão ligados às diferentes festas e principalmente à da natividade santa, lembrando os três símbolos principais, que evocam o Natal: o menino pelo presépio, a luz pela estrela, e as velas. O presépio foi concebido por São Francisco de Assis, armado em 1223, na cidade de Greccio, na Itália. A igreja católica considera um bom costume armar presépios no templo, nas casas e nas praças públicas. Em Cuiabá, usava-se percorrer pelo menos sete presépios; e eram tantos: uns simples com imagens de barro, outros mecanizados, como o do José Brasil, na praça dom José, cuidadosamente organizado pelo carteiro Lezino Leite; como também o do Deodato Arruda no bairro do Porto. Personagens em movimento, o sino e o monjolo em ação. E outros que atraíam os cuiabanos, alegre e piedosamente. É dito que o presépio é o símbolo mais inspirado nos evangelhos. A estrela, a de Belém, é de primeira grandeza, o da alegria e orientação. Quando representada com 5 pontas é a estrela de Salomão, a lembrar o ser humano; a de 6 é a estrela de Davi, símbolo de Israel, como sinal de paz e equilíbrio, com dois triângulos opostos. Por fim, as velas representam a natureza, reúnem os reinos animal, vegetal e mineral. No primeiro, a cera de abelha; no segundo, o algodão ou linho do pavio; e no terceiro, as cinzas resultantes das chamas. Quando acesas informam a origem nórdica; contudo, velas nos rituais religiosos são uma tradição de origem judaica. Primordialmente, as famílias fabricavam suas velas com cera pura de abelhas, conservando a cor natural. A multiplicidade do comercio trouxe a vermelha, a mais representativa, e outras. Luz, muitas luzes, a de Natal expressa o poder iluminante. Todas essas luzes saúdam o início de uma nova era, a Era Cristã. Estamos a viver o Terceiro Milênio desta era, cujo começo está no berço do Menino-Deus. O tempo histórico é dividido e calculado entre datas, antes e depois de Cristo. Anteriormente, vivia-se a Era Romana, cujos anos eram contados a partir da fundação de Roma, em 753 a. C. Cinco séculos depois do nascimento de Cristo, após a evangelização da região mediterrânea e grande parte da Europa pela igreja Católica, é que se repensaram o tempo e as eras. Jamais o Natal pode resumir-se em mesas fartas, exibição de riqueza e profanação, sem excluir, todavia, as ceias tradicionais. São horas da mais alta dignificação do ser humano, sem presunção de puritanismo: beatitude sem beatice. É o tempo da criança vinde a mim os pequeninos , tempo da realização da promessa, da reconciliação, do perdão; ah, como é difícil perdoar , e não somente 7 vezes, mas, 7 vezes 77; isto é, sempre. Anatole France lembra: ... a mansidão, a clemência e a longanimidade são os únicos meios que devem ser empregados para a regeneração dos homens. É o tempo mágico da chegada do messias Redentor, anunciado pelos profetas. Hora da generosidade, pressentindo-o, não só como presente, mas dispensador de presentes. Que o maior deles seja o da conversão que enterra a hipocrisia: ... não é o sadio que precisa de médico, e sim o doente. Que a santidade do Natal infunda novos valores e a água lustral lave tão necessariamente a conduta dos dirigentes do Brasil. Possa, ainda, a Sagrada Família de Nazaré inspirar o refortalecimento da família brasileira, como crisol do amor verdadeiro. *BENEDITO PEDRO DORILEO é advogado, e foi reitor da UFMT