Bem ao estilo ufanista que nos caracteriza como povo e nação, o Brasil explodiu em manchetes na mídia de que havia ultrapassado o Reino Unido (Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte juntos) e agora é a sexta economia do mundo. Quanto a isso, entre os ditos analistas do mercado, ainda pairam dúvidas se foi a crise econômica e financeira que se abate sobre a Europa que derrubou a economia britânica ou se foi o Brasil que cresceu. Mas, deixemos de lado essas especulações e vamos às repercussões da notícia. Pois bem, nessa onda triunfalista, não faltaram pitacos e entrevistas de ministros, como o da Fazenda, Guido Mantega, afirmando que, daqui a mais dois ou três anos, o país estará entre os cinco mais ricos do mundo. Sua Excelência só se esqueceu de lembrar que um contingente de 16 milhões de brasileiros ainda vive abaixo da linha da pobreza, vegetando na miséria o que não ocorre em tamanha extensão demográfica em nenhum país da quebrada Europa. Com milhões de brasileiros perecendo nas filas do SUS país afora, com cerca de 14 milhões de analfabetos que sequer sabem ler ou escrever e o dobro disso de alfabetizados que mal soletram e não entendem bulhufas sobre o que leem, esse quadro deprimente está mais para causar vergonha do que orgulho pelo fato do Brasil haver ultrapassado o Reino Unido no ranking das economias mundiais. Ao contrário, essa situação mostra o quanto a injustiça social e as desigualdades estão entranhadas em nossa nação o que, convenhamos, não é motivo para soltar foguetes! Lembrando ainda que na Inglaterra não existem favelas e nem crianças abandonadas pelas ruas e sarjetas e o índice de crimes contra a vida e o patrimônio das pessoas é infinitamente menor que o verificado na tragédia brasileira em que se transformou a violência, inflando para muito além do suportável e do que pode se considerar civilizado, os números referentes à criminalidade. Isto sem falar que os roubos do dinheiro público, comuns no Brasil, são ínfimos e praticamente inexistem no Reino Unido! E quando se tem notícia de que algum figurão ou figurinha da vida pública europeia foi pilhado em ladroagens, a punição é praticamente certeira o que dificilmente acontece por aqui. Onde o compadrio entre as elites dirigentes encasteladas nos chamados Poderes Constituídos salvo pouquíssimas exceções se autoprotegem contra eventuais punições através de suas redomas e da mútua proteção corporativista. Obviamente, abolir, ou quando nada diminuir a intensidade dessas práticas delituosas nas esferas públicas, onde o dinheiro dos impostos e que deveria ser aplicado na correção dos desníveis sociais some nos esgotos da corrupção, não é tarefa fácil. Portanto, sem conquistar essa riqueza moral não é justo o regozijo pela econômica. Os desvios de conduta dos poderosos impedem que o povo comemore o fato de sermos a sexta economia do planeta. Por se tratar de algo com o qual os principais prejudicados por essas mazelas os pobres e miseráveis nem mais se assombram! Apenas sofrem! * MÁRIO MARQUES DE ALMEIDA é jornalista www.paginaunica.com.br E-mail:
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