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Cuiabá MT, Sexta-feira, 19 de Junho de 2026

ARTIGO
Terça-feira, 30 de Março de 2010, 20h:21

JOANICE DE DEUS

Saúde na UTI

Saúde deve ser prioridade. Mas, não é isso o que acontece. Muito pelo contrário, são inúmeros os problemas ligados à prestação do Sistema Único de Saúde (SUS) e é praticamente consenso que existe uma crise na rede, alcançando a prestação de serviços, o ensino e a até mesmo a produção acadêmica. Exemplo disso é o Hospital Universitário Júlio Müller (HUJM), que corre o risco de ser fechado. Imagine uma unidade hospitalar como o HUJM, referência estadual, de portas fechadas. Como é que fica a população mato-grossense se hoje os postos de postos de saúde e policlínicas estão sempre superlotados. No pronto-socorro de Cuiabá só é atendido que chega em ambulância ou praticamente morrendo. Quem chega em carro particular é barrado no portão da unidade. E como é que fica a tal da universalização do SUS? O setor está na UTI e os governos federal, estadual e municipal parecem indiferentes a esse flagelo. E não é só por falta de recurso, mas também de vontade política. O mais triste é que a população carente é a mais afetada porque as pessoas que possuem uma condição financeira melhor recorrem aos planos de saúde ou mesmo ao sistema privado. No ano passado, a CPI da Saúde apontou 120 mil pessoas estão na fila do SUS em Mato Grosso esperando uma consulta ou realização de exames. Deste contingente, 63 mil pacientes aguardam apenas por uma consulta. Em centenas de casos, a população tem que recorrer à Justiça para garantir a realização de exames ou assistência médica. Mais ainda, na semana retrasada, liminares concedidas ao Ministério Público do Estado (MPE) estabelecem prazos para que a Prefeitura de Cuiabá reforme policlínicas como as do Coxipó e Pascoal Ramos. Segundo o MPE, as irregularidades detectadas nas duas policlínicas não são recentes. Somente na unidade do Coxipó um relatório da Coordenadoria de Vigilância Sanitária e Epidemiológica Municipal identificou 243 não-conformidades. Outro gargalo é a remuneração dos profissionais das unidades, que não é satisfatório. Só nos últimos seis meses a rede pública na capital enfrentou ou enfrenta movimentos grevistas de médicos, cirurgiões-dentistas e enfermeiros. O problema se estende aos municípios do interior do Estado, que enfrentam a falta de profissionais, principalmente, nas áreas de especialidades de alta complexidade como neurologia e ortopedia. Mas, também falta investir numa rede pública preventiva, que promova a saúde e que se preocupe apenas em tratar ou cuidar das doenças. JOANICE DE DEUS é repórter

Edição EDIÇÃO 16966




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