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ARTIGO
Quarta-feira, 25 de Agosto de 2010, 20h:01

PAULO SÁ

Saneamento básico, ainda é um desafio

Melhores condições de saneamento resultam em melhores condições de vida para a população e, obviamente, em redução de gastos com a saúde. A sociedade ocidental moderna sabe disso desde que foi feito o primeiro sistema de drenagem de esgotos do mundo em Paris, no final do século XIX. Só o Brasil que parece não ter aprendido ainda a lição. Mais de metade da população, precisamente 57%, ainda não tem acesso à coleta de esgoto. A ausência de saneamento é responsável pela proliferação de centenas de doenças que podem levar à morte. As crianças são as mais afetadas. É um descaso de décadas. Afinal, requer investimentos de vulto e que ficam sob a terra, portanto, não “aparecerem” aos olhos dos eleitores. A lei do saneamento básico foi sancionada em 2007, depois de ficar anos parada no Congresso, e ainda não encontrou grandes ecos na realidade de milhões de pessoas. Recentemente foi divulgada a pesquisa Benefícios Econômicos da Expansão do Saneamento Brasileiro produzida pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a Fundação Getúlio Vargas. De acordo com o estudo, o Sistema Único de Saúde economizaria R$ 745 milhões e salvaria 1.200 vidas por ano se o saneamento fosse universalizado no país. A mesma pesquisa estima que haveria um crescimento de R$ 1,9 bilhão no Produto Interno Bruto (PIB) do setor de turismo se todos os municípios tivessem pleno acesso ao saneamento. Sem tirar os méritos do estudo, é impressionante o quanto atualmente torna-se necessário apresentar argumentos econômicos para convencer os governantes a investir o dinheiro, que é público, em obras de saneamento. Parece que as vidas que poderiam ser salvas com o pleno acesso à água encanada, esgoto e coleta de lixo já não servem mais de argumento. Os municípios, de um modo geral, não têm recursos para financiar o custo das obras. Estados e a União não se entendem sobre qual pasta de governo deve financiar o saneamento. Enquanto isso, nada se faz. E, quando se faz alguma coisa, os governantes contrariam os melhores modelos a serem adotados do ponto de vista da sustentabilidade. Pequenas centrais de tratamentos nos bairros estão sendo adotadas na Europa, pois são mais baratas e eficazes. Quando vemos as iniciativas que governo e empresários pretendem realizar, encontramos mega-projetos, consequentemente, mais caros e demorados. Só que a Saúde da população não espera. *PAULO SÁ é médico e professor da Faculdade de Medicina de Petrópolis.

Edição EDIÇÃO 16963




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