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ARTIGO
Quinta-feira, 18 de Junho de 2009, 21h:30

PAULO RONAN

Rivelino, Zico e Ademir da Guia

Até os 13 anos morei nas Minas Gerais, lá pelas bandas do Vale do Jequitinhonha. Era um atleticano entre meu pai e meus dois irmãos cruzeirenses. Passava férias na casa de um tio que também tinha três filhos, todos também cruzeirenses. Para onde ia era pau. Um dia, depois de passarmos uma manhã discutindo quem era melhor, Dario ou Tostão, eu e meus primos, corremos para consultar nosso tio que chegava atrasado para almoçar. Tostão recém-chegara do México, enquanto que o Peito de Aço tinha sido artilheiro do campeonato brasileiro de 1970, quando fomos vice-campeões, e campeão mineiro do mesmo ano. Eu não acreditava que alguém no mundo pudesse discordar de mim, que o rei Dadá não era melhor. E eu quero saber quem está com mais fome e cansado, eu ou vocês, respondeu meu tio correndo da pergunta. Hoje entendo perfeitamente aquela resposta. Para ele e para muita gente a resposta era óbvia. Mas seria muito doído. Eu como visita, de férias, um sobrinho querido (até hoje nos gostamos) não poderia ser massacrado naquela contenda. E assim foi minha vida, sempre quem é melhor do que quem no futebol. Sem paixão do tipo Rivelino melhor que Pelé, como já ouvi de um corintiano. Ou de um flamenguista que irritou todo um boteco pé sujo no Rio de Janeiro falando e sustentando uma tarde inteira que Souza é melhor que Platini. Agora Zé Mário chegou aos sete anos. (Meu filho, canhoto, atacante pela esquerda, o pai foi ala e depois centroavante). Começa a me indagar quem foi igual a Pelé. Pelé e Reinaldo, já lhe expliquei, estão acima dessas disputas. O primeiro por razões óbvias e o segundo por uma paixão que não me permite alinhá-lo aos normais. É outra coisa. Depois de muitas contas domingo que passou resumi para ele quem eu entendo serem os três melhores, excluindo Reinaldo e Pelé. Rivelino, Zico e Ademir da Guia. Depois não achei justo, resolvi democratizar a informação. Resolvi convocar um bando de amigos que gostam, vêem e entendem de futebol, e melhor, conseguem dar uma opinião sem paixão. Liguei e escrevi para amigos daqui e de fora. Três nomes, me mandem. Conversei com gente desconhecida. Anotei tudo. A primeira decepção foi que minha lista está longe de ser uma unanimidade. Não esperava tanto, mas pelo menos imaginava ser da maioria. Só a de um torcedor na arquibancada do Parque Antártica que concordou na íntegra com ela. Teve várias que não tem nenhum nome dela. Não entendo, por exemplo, Rivelino tem de estar em todas listas. Zico idem. Outras decepções, tipo Falcão não aparece em nenhuma. Sócrates idem. Nem Robinho. Luiz Fabiano, torci para aparecer, mas não surgiu em nenhuma das 25. Nenhum zagueiro. Quem sabe Luiz Pereira, alertou Paulo Gatto, que mesmo palmeirense reproduziu minha lista com Romário no lugar de Ademir da Guia. Honesto. Aliás, Romário aparece bem. Garrincha aparece num total de 25 em seis listas. Mas de pessoas rigorosas. Algumas combinações interessantes. Na de Enock Cavalcanti, jornalista da área de política, mas com o futebol na agenda diária, põe o poeta da bola acima do rei Pelé. E faz uma referência interessante à criação de Leônidas, a bicicleta como a mais bela jogada do futebol. A parada no ar, a troca de pernas, o paralelismo entre o chão e a envergadura do atleta. Interessante. Outra surpresa, Ronaldo só aparece em uma lista, do meu amigo Zé Vinício, que inclusive jogou bola. Um consultado na arquibancada do Parque Antártica me fez um desabafo e desafio. Se fizer 10 listas destas no Brasil, 9 tem de ter o Pita. Apareceu só na dele. Teve gente que lembrou Eder Aleixo. Teve Junior. Roberto Dinamite. Bebeto. Djalminha. Outra surpresa que surgiu em duas listas, de gente qualificada. Na do Enock, e na de Alfredo Menezes, historiador, mas com a agenda também cheia de futebol. Gerson. Coisas do futebol. E não tem como não particularizar, meu amigo Kleber Lima reproduz minha lista substituindo Ademir da Guia pelo Marcelinho Carioca. Futebol é fantástico. Para se ter uma idéia dois consultados tiveram tanta dificuldade que não conseguiram elaborar a lista. Falou de muita gente. Um deles, o jornalista e produtor de vídeo Aroldo Rocha, ainda lembrou Dirceu Lopes o craque que Pelé mais admirava da sua geração. O que fica é que a consulta acabou por confundir minha cabeça. Devo ter outra conversa com Zé Mário. Outra coisa, 25 pessoas foram consultadas, pessoas que gostam, acompanham e sabem ver futebol e nenhuma delas falou de Kaká e Ronaldinho Gaúcho. Ficou muito disperso o resultado devido ao baixo número de 25 consultas. Farei outra com algum rigor e agora estou encucado com a falta de padrão desta coisa chamada futebol. * PAULO RONAN é economista [email protected]

Edição EDIÇÃO 16962




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