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ARTIGO
Sábado, 02 de Maio de 2009, 12h:51

VICENTE VUOLO

Rio Cuiabá: fonte de vida cuiabana

É com a consciência da necessidade de proteger e conservar a natureza ante a ameaça do desequilíbrio ecológico provocado pela ação devastadora do homem sobre o meio ambiente, que convoco os queridos leitores para uma meditação sobre o atual estado de saúde do rio Cuiabá. Como está à qualidade da água do nosso rio, a principal fonte de vida cuiabana? Com certeza, encontraremos um ciclo vicioso de degradação ambiental. Não importa quem sejamos, o que fazemos, onde vivemos, todos dependemos do rio para viver. Por maior que seja a importância do rio Cuiabá, as pessoas continuam poluindo suas águas e suas nascentes, esquecendo o quanto ele é essencial para nossas vidas. O sofrimento de suas águas começa desde a nascente, na Serra Azul, a uma altitude de 500 metros, passa pelo Cuiabazinho e se agrava ao receber, mais adiante, as águas do rio Manso, quando dobra de volume, tendo daí para frente o nome de Cuiabá. São mais de 800 quilômetros de extensão com largura média de 150 metros de amargura e descaso das autoridades governamentais e, por que não dizer, de todos nós. É como se fosse “mais um rio que passou na minha vida“. Mas, não devemos nos esquecer de que esse mesmo rio sempre foi caudaloso e piscoso, até um passado bem recente. Outrora, foi a principal via de comunicação da capital para o centro-sul brasileiro, por onde começou a ocupação do nosso solo. Vieram, então, os bandeirantes paulistas, seguindo a “via das monções”, saindo de São Paulo e aportando em Cuiabá. Em nossa terra, já existiam os exímios índios canoeiros, os Paiaguás, que observavam a contragosto o grande fluxo das embarcações. Era a onda da modernidade transportada pelas máquinas a vapor. Ainda não faz muito tempo, falo da década de 60, era comum ver crianças nadando embaixo da ponte Julio Muller enquanto os pais pescavam nas barrancas do rio Cuiabá. Nesse período, o pacu, pescado no bairro do Porto, era o símbolo maior da nossa capital. O peixe era alimento farto, barato e obrigatório na mesa de todo cuiabano. Mas, veio o progresso e, com ele, o crescimento desordenado. A multiplicação de edificações e indústrias em Cuiabá e Várzea Grande empurraram o esgoto, sem nenhum tratamento, para a principal fonte da vida cuiabana. E, com isso, a população se afastou consideravelmente do rio Cuiabá. Sim, é o esgoto doméstico o poluente orgânico mais comum que temos. A matéria orgânica transportada pelos esgotos fez proliferar os microorganismos, entre os quais bactérias e protozoários, utilizando o oxigênio existente na água para oxidar seu alimento, reduzindo consideravelmente a vida dos peixes existentes. E o maior perigo do despejo de resíduos industriais no rio é a incorporação de substâncias tóxicas pelos peixes, que servem de alimento a nossa população. Para chamar a atenção do nosso povo, cheguei a sugerir, na condição de vereador da capital, a criação de um circuito turístico-cultural. Seria um passeio em chatas, é claro, saboreando guaraná ralado, a partir do porto de Cuiabá, passando por São Gonçalo para comprar cerâmicas em direção a Usina de Itaici, até Santo Antônio de Leverger- Barão de Melgaço. Seria uma forma de trazer novamente a população para o rio, como queria o grande poeta cuiabano Silva Freire. Ainda na Câmara, tive a felicidade de fazer esse percurso com o apoio do grande municipalista Geraldo Ferreira Gomes (ex-superintendente da AMM), o artista Wolf (responsável pela criação de um mapa pictórico) e o empresário Zezinho Duarte, que cedeu sua lancha para o projeto. E a nossa sugestão é a de denominar esse grande passeio de Circuito Silva Freire. Finalizo, com a canção de Antonio Lycério Pompeo de Barros: “Desce, rio Cuiabá... É canoa descendo, é canoa subindo, levando ou trazendo o seu pescador... É o anzol temperado, a tarrafa, o arpão, o jacá transbordado e o dinheiro na mão, é o homem feliz senhor de seu chão... Desce, rio Cuiabá... Mas um dia, afinal, o progresso chegou e, entre o bem e o mal, lindo rio matou... Já não há pescador, pois que peixe não há!... há um rio a rolar, espumado de dor, saudade a levar de seu ex-pescador, Desce, rio Cuiabá... * VICENTE VUOLO é economista, ex-vereador em Cuiabá e assessor parlamentar do Senado Federal [email protected]

Edição EDIÇÃO 16967




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Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
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