Repartidos políticos. Dissidentes institucionais. Vestais. Vendavais. Intrigas aquém de uma oposição. Fagulhas acima do moro. Gritos de socorro. Refugiados sem qualquer representação. Reféns diante do mesmo circo da exclusão. Chave na fechadura. Cadeado sem portão. Trancas e tramelas. Latidos de um mesmo cão. Samba enredo. Samba canção. Sambista, sim! Lobista, não! Piratas da perna de pau. Palhaços do nariz vermelho. Percalços do povo brasileiro. Panos quentes. Papo de peru. Língua de sogra. Voo de anu. Rimas para que te quero? Brasil branco não alvejado. Brasil amarelo não negociado. Brasil verde desbotado. Brasil do firmamento deveras azulado. Cinderela dos borralhos revirados. Príncipe dos minuetos musicados. Palácios embaralhados em cartas marcadas. Parlamentos das enxurradas. Tribunais das vítimas preteridas. Denúncias e intrigas. Promessas e dívidas. Fadigas. Formigas de um mesmo formigueiro. Vespas de um mesmo vespeiro. Mosquitos oriundos das larvas em eclosão. Epidemia em nada silenciosa aos olhos da nação. Nação democrática pela metade. Nação republicana na sua melhor idade. Nação das premissas e dos princípios. Nação dos meios e dos fins. Nação dos curumins. Nação dos caciques tupiniquins. Nação das lideranças mais do que sindicais. Nação dos vitimados nada ocasionais sepultados em mais de uma cerimônia coletiva. Nação altiva. Nação idealizada. Nação improvisada. Nação continental. Nação federalizada. Nação da canoa furada. Nação alarmada. Nação vigilante. Nação orquestrada. Nação desconcertante. Protagonista ou figurante? Cotas da cotia. Tocas do tatu. Chacoalho rastejante. Caça e caçador. Serpente alada. Sapo saltitante. Rato voador. Morcego em nada frugal. Ordem por direito e por dever. Progresso para quem sabe com quantos paus se faz uma canoa. Travessia no leme. Âncora na proa. Embarcação à deriva. Terra à vista! Hora do desembarque sem qualquer terminal adequado. Minuto do deleite institucionalizado. Segundo do ovo quebrado na frigideira. Hora da merenda. Minuto da feira. Segundo tempo sem prorrogação. Falta grave. Cartão vermelho. Expulsão. Desfalque aquém de qualquer seleção. Gol contra. Gramado artificial. Torcida uniformizada. Arroz com pequi. Feijão de corda. Pato no tucupi. Água no chimarrão. Palmeira imperial. Buritizal. Brasil periférico. Brasil central. Brasil além de um imenso litoral. Lá vem o Carnaval além da Marques de Sapucaí. Sambe se souber sambar. Cante se souber cantar. Sorria se a festa continuar. Vale quase tudo. Só não vale fogo no barracão. Só não vale mais de um carro alegórico na contra mão. Destaque ou pé no chão? Concentração ou dispersão? Alegria, alegria. A avenida vai florir. Democracia, democracia. Paraíso da improbidade vai ressurgir. Alegoria, porta bandeira, mestre sala, bateria... Acadêmicos do Salgueiro, Acadêmicos da Grande Rio, Unidos da Tijuca, Unidos de Vila Isabel, União da Ilha do Governador, Beija flor de Nilópolis, Portela, Mocidade Independente de Padre Miguel, Imperatriz Leopoldinense, Inocentes de Belford Roxo, São Clemente, Estação Primeira de Mangueira... Harmonia, harmonia. Igualdade! Reinado de Momo, liberdade, liberdade. Abre as asas sobre nós, só não finde o nosso verso, só não cale a nossa voz. *AIRTON REIS é poeta em Cuiabá
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