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ARTIGO
Sexta-feira, 17 de Maio de 2013, 20h:22

PAULO LEITE

Reconhecimento

Outro dia, em Primavera do Leste, o governador Silval Barbosa, com a habilidade de um ourives, lapidou suas palavras com extrema elegância para reconhecer o papel de seus antecessores no Palácio Paiaguás, neste longo processo de desenvolvimento vivenciado por Mato Grosso nas últimas décadas. Sob o olhar orgulhoso dos ex-governadores Júlio e Jaime Campos, o atual mandatário lembrou a importância de cada gestor, no seu tempo, para a consolidação econômica de nossa comunidade. Falou com sinceridade e respeito de Frederico Campos, Carlos Bezerra, Dante de Oliveira, Blairo Maggi, além de Júlio e Jaime Campos, ali presentes. Com seu discurso, Silval construiu a necessária travessia política para o resgate histórico de personagens tão instigantes da vida regional. Sim, Mato Grosso não começou agora. Nosso progresso é o resultado do trabalho de muitas mãos e do suor de muitas faces. De fato, ao seu modo, cada um dos ex-governadores contribuiu para transformar Mato Grosso na potência econômica que conhecemos hoje. Fincaram as bases do nosso desenvolvimento, com obras de infraestrutura, programas de incentivo fiscal, projetos de expansão da fronteira agrícola e a colonização de vastas áreas. Cometeram erros e acertos, mas o saldo é positivo. Cada um com seu estilo administrativo e suas convicções políticas, ajudou a impulsionar Mato Grosso para o futuro. Todos, sem exceção, demonstraram visão estratégica e, sobretudo, uma arraigada crença nos destinos desta terra. São homens que pensaram além de seu tempo, antevendo nosso Estado como um canteiro de oportunidades e negócios capaz de atrair a atenção de empresários, investidores e profissionais liberais de todo o país. Aparentemente apenas um elogio protocolar, as orações de Silval Barbosa ganharam uma força premonitória, com enorme significado político, após a divulgação da notícia de que Mato Grosso alcançou a 4ª posição entre os exportadores brasileiros, superado somente pelos estados da Região Sudeste. Isto porque o governador reafirmou a teoria democrática de que a alternância de poder não precisa, necessariamente, desaguar na descontinuidade administrativa. O plano de desenvolvimento da região está acima dos interesses partidários. É superior, eticamente, à personificação do poder. Quem chegou a 4ª posição entre os exportadores nacionais não foi Silval Barbosa. Foi, isto sim, uma sequencia de ações práticas e atitudes políticas capazes de alicerçar o desenvolvimento do Estado. Não é papel de apenas um homem, mas sim esforço de toda uma geração: de políticos, empresários, estudantes, cientistas, intelectuais, agricultores e trabalhadores. No entanto, as sábias palavras do governador Silval Barbosa, lamentavelmente, ficaram circunscritas ao ambiente em que foram proferidas. Não reverberam com a dignidade que mereciam, muito por culpa da inapetência da propaganda oficial. Aliás, com um volume espetacular de obras e feitos, o governo estadual não consegue se comunicar com a sociedade. Padece de um isolamento incompreensível e de um silêncio constrangedor: não explica, não orienta, não dialoga e, por isso, não convence. Também pudera, o titular da pasta, Carlos Rayel é um notório caçador de pequenas vantagens, de negócios fáceis e sinecuras. *PAULO LEITE é jornalista e escritor

Edição EDIÇÃO 16967




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