ARTIGO
Terça-feira, 31 de Março de 2015, 19h:39
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YURI RAMIRES
Razão e sensibilidade
Tem dias que é fogo ser jornalista, assumir postura ética diante de uma situação a qual você não acredita ou concorda, respeitar opiniões contrárias e ser imparcial. Mas, quando superamos todas essas barreiras diariamente, nos tornamos uma pessoa melhor, além de profissionais. O ponto da discussão surgiu após ler a entrevista do colega Douglas Trielli, do site Mídia News, com o deputado federal Victório Galli, eleito em 2014. Galli se tornou manchete no mês passado após repudiar o beijo entre as atrizes Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg em uma novela. Em meio aos problemas que Mato Grosso enfrenta, o repúdio do deputado, que também é pastor, foi um desserviço à população, que carece de políticas públicas voltadas à saúde e educação, por exemplo. Douglas foi certeiro nos questionamentos, incisivo e não se intimidou com as respostas do deputado, que chegou a declarar que a homossexualidade é sinônimo de extinção da raça humana. Na verdade ele usou a palavra homossexualismo, que remete a homossexualidade à doença. Passamos quatro anos na faculdade, e quando é hora de colocar a cara à tapa, descobrimos que não estamos preparados para lidar com todas as situações. Mas como em tudo que fazemos, a prática nos aperfeiçoa. Refletindo as teorias jornalísticas, o pensador Max Weber coloca duas categorias éticas, sendo a de convicção e a de responsabilidade. A primeira consiste em agir conforme suas crenças e princípios de toda ordem. Já a segunda, age conforme a razão. Certamente o repórter não concorda com o posicionamento do deputado, contudo, conduziu a entrevista até o final conforme o roteiro, uma verdadeira ação da ética de responsabilidade. Além de caminhar para ser um excelente profissional, Douglas cresce como ser humano. Não há uma fórmula, um molde, para se tornar uma boa pessoa, acredita-se que é cultivando o respeito, tolerância, os ensinamentos cristãos, enfim. Cada qual com suas convicções. Mas tudo isso é relativo. O que é certo para mim, pode não ser para você. YURI RAMIRES é repórter