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ARTIGO
Sábado, 13 de Fevereiro de 2010, 09h:10

PAULO RONAN

Quebrou o primeiro

Não conseguem tirar de cartaz. Redes de São Paulo e do Rio de Janeiro tentaram, mas voltaram atrás e continuam projetando nas suas salas o maravilhoso filme do Tarantino “Bastardos Inglórios”. É o seu maior filme desde Pulp Fiction. A academia, como sempre, faz de conta que não é com ela, não o indica pra os principais Oscars. Deve acabar levando melhor Ator Coadjuvante para o austríaco que faz um nazista caçador de judeus. Indispensável dizer que acaba o filme pego e mutilado pela ira vingativa de um matador de nazistas interpretado pelo Brad Pitt. É a vingança que Tarantino tão bem encarna nos seus filmes. Alguém podia apresentar ao Tarantino a música Vingança de Lupicínio Rodrigues. Já imaginaram uma cena de vingança numa estrada poeirenta com ao fundo “você há de rolar como pedras na estrada” na voz cansada de Isaura Garcia. De arrepiar. Sempre homenageando o cinema nos seus filmes, neste faz uma bela referencia ao “O homem que matou o facínora” de John Ford com outro John, o Wayne, precisamente a frase final em que o jornalista recomenda “quando o fato fica maior que a lenda publique a lenda”. Foi transformada em “....entre o fato e o boato eu prefiro o boato. O fato é muito duro, o boato permite outras interpretações, outras visões do fato”. E tudo isso pode resumir no popular “onde há fumaça, há fogo”. E o boato já vinha desde meados do ano passado que as economias da Europa não agüentariam as operações de resgate que fizeram para não deixar quebrar seus bancos e operar o keynesianismo mais primário que se tem noticia na história do capitalismo. Nada contra a operação. Se a General Motors estivesse quebrado, alem dela estaria morta a previdência americana e uma meia dúzia de seguradoras. Se não fosse a operação de desoneração do governo Lula a nossa indústria de aços planos estava morta. O problema é o critério e as escolhas. E a total alienação dos parlamentos nestas ações. Porque pode quebrar o Lehman Brothers e não pode o Citigroup?. E outra coisa foi o tamanho da operação. O Banco da Inglaterra levou seu juro para quase zero. Não tem tesouro que agüenta isso. O da Alemanha não anda lá muito bem e Ângela Merkel tem sido honesta quanto a isso. Não prometeu nada por estes dias. Esta semana começamos com a Grécia. Mas os chamados (mais uma picaretagem de economista) PIIGS (Portugal, Ireland, Italy, Greek e Spain) na sigla em inglês despertam inquietações por todo continente. Fala em fim do euro. Com certeza pelo menos as metas fiscais de 3% de déficit público do Tratado de Maastricht para a zona do euro já estão comprometidas. Espanha 20% de desemprego. Itália quebrada, não honrará a divida de curto prazo. Portugal e Irlanda idem. E a Grécia foi o susto da semana. Acontece que os economistas não conseguem imaginar o desdobramento. Que a zona do euro será atingida no seu conjunto sim. Mas em que proporção? E a turma do leste vinda do comunismo, com uma economia de mercado ainda nascente. Como ficarão? E no plano político? Pode ter voltas? A Ucrânia acaba de eleger um candidato pro Rússia, um dos primeiros da área de influencia soviética a romper com o passado, inclusive ficando ao lado da união européia em todas as crises desta com a Rússia em torno da estória do gás. Sou economista. Quase um autodidata. Formei há 30 anos na gloriosa UFMT e nunca mais pude sentar num banco de escola, raras 380 horas no começo da minha vida profissional na Unicamp. Como um curioso aposto numa reviravolta na vida econômica da velha Europa. Seus bancos centrais vão correr os pires pela Ásia e pelo EUA. Foi uma luta para tornar o euro sistêmico, para o bem e para o mal. Agora veio a parte do mal. Moeda única tem disso. Quem viver verá. E é pra já. * PAULO RONAN é economista [email protected]

Edição EDIÇÃO 16962




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