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ARTIGO
Sexta-feira, 11 de Dezembro de 2015, 21h:09

TÂNIA NARA MELO

Pura utopia

Quem necessita ir ao banco para pagar suas contas já sabe o calvário que vai enfrentar ao passar pela porta giratória – aquela que muitas vezes insiste em nos barrar embora não tenhamos sequer uma moeda ou qualquer outro objeto de metal nos bolsos. Dependendo do dia da semana a espera para o atendimento nos caixas é interminável. Aquela história de seguir a lei que determina que o cliente deve esperar na fila no máximo de quinze a vinte minutos é pura utopia. O que se vê são filas imensas e um número reduzidíssimo de funcionários nos caixas. Um ou dois, quando o espaço físico reservado a eles em alguns casos é mais que o dobro. A grande maioria dos bancos direciona quase todos os serviços para o autoatendimento e lá também os clientes padecem com as filas. Não tem jeito, quem precisa de serviço bancário, e é raro alguém não precisar, tem que se submeter a esse martírio. O desrespeito ao consumidor é total. E as queixas não se limitam apenas aos consumidores mato-grossenses, é algo generalizado, os brasileiros de todos os cantos do país vivenciam o mesmo problema. O caso de uma senhora em São Paulo, um tempo atrás, me chamou a atenção, ela conta que ao constatar o tamanho da fila, e perceber que ficaria ali por horas, decidiu pedir uma senha para registrar o horário de entrada e fazer valer a lei da fila. No início, a lentidão continuava, mas em pouco tempo - e inesperadamente - o ritmo ficou acelerado e ela foi atendida rapidamente. Ao chegar no caixa o funcionário lhe pediu a senha para autenticá-la. Ela estranhou, pois apenas ela tinha a senha – como ele sabia? Tudo bem, ficou intrigada mas seguiu em frente. Voltando ao banco em outra ocasião, voltou a pedir a senha só que desta vez o funcionário disse que não havia senha. Ela, porém, insistiu, disse que era lei e acabou por consegui-la. Assim como na vez anterior, o ritmo da fila acelerou em pouco tempo, e o caixa voltou a pedir a senha para autenticação, só que desta vez ela constatou que ao receber a senha o caixa informou à gerente que estava tudo ‘beleza’ e depois disso o número de atendentes nos caixas foi reduzido. Moral da história: funcionários para atender nos caixas há em número suficiente, a questão é colocá-los para atender os clientes de forma digna e de acordo com a lei. Por que será que neste país uma boa parte das leis simplesmente vigora apenas no papel? *TÂNIA NARA MELO é editora de Opinião do Diário

Edição EDIÇÃO 16966




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