Quem necessita ir ao banco para pagar suas contas já sabe o calvário que vai enfrentar ao passar pela porta giratória aquela que muitas vezes insiste em nos barrar embora não tenhamos sequer uma moeda ou qualquer outro objeto de metal nos bolsos. Dependendo do dia da semana a espera para o atendimento nos caixas é interminável. Aquela história de seguir a lei que determina que o cliente deve esperar na fila no máximo de quinze a vinte minutos é pura utopia. O que se vê são filas imensas e um número reduzidíssimo de funcionários nos caixas. Um ou dois, quando o espaço físico reservado a eles em alguns casos é mais que o dobro. A grande maioria dos bancos direciona quase todos os serviços para o autoatendimento e lá também os clientes padecem com as filas. Não tem jeito, quem precisa de serviço bancário, e é raro alguém não precisar, tem que se submeter a esse martírio. O desrespeito ao consumidor é total. E as queixas não se limitam apenas aos consumidores mato-grossenses, é algo generalizado, os brasileiros de todos os cantos do país vivenciam o mesmo problema. O caso de uma senhora em São Paulo, um tempo atrás, me chamou a atenção, ela conta que ao constatar o tamanho da fila, e perceber que ficaria ali por horas, decidiu pedir uma senha para registrar o horário de entrada e fazer valer a lei da fila. No início, a lentidão continuava, mas em pouco tempo - e inesperadamente - o ritmo ficou acelerado e ela foi atendida rapidamente. Ao chegar no caixa o funcionário lhe pediu a senha para autenticá-la. Ela estranhou, pois apenas ela tinha a senha como ele sabia? Tudo bem, ficou intrigada mas seguiu em frente. Voltando ao banco em outra ocasião, voltou a pedir a senha só que desta vez o funcionário disse que não havia senha. Ela, porém, insistiu, disse que era lei e acabou por consegui-la. Assim como na vez anterior, o ritmo da fila acelerou em pouco tempo, e o caixa voltou a pedir a senha para autenticação, só que desta vez ela constatou que ao receber a senha o caixa informou à gerente que estava tudo beleza e depois disso o número de atendentes nos caixas foi reduzido. Moral da história: funcionários para atender nos caixas há em número suficiente, a questão é colocá-los para atender os clientes de forma digna e de acordo com a lei. Por que será que neste país uma boa parte das leis simplesmente vigora apenas no papel? *TÂNIA NARA MELO é editora de Opinião do Diário