ARTIGO
Quarta-feira, 24 de Outubro de 2012, 22h:29
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STEFANIE MEDEIROS
Priorizando vidas
Em reunião na semana passada, o Conselho Universitário da Universidade Federal de Mato Grosso discutiu a possibilidade de entregar a administração do Hospital Universitário Júlio Muller (HUJM) à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH), criada especialmente para gerir as unidades de saúde e ensino. Apesar de ser uma empresa, ela foi criada para agir como um gestor público, agindo, desta forma, de acordo com as normas das instituições deste tipo. Ou seja, o HU não perderia sua autonomia. Outro ponto vastamente criticado por aqueles contra a EBSERH é a contratação dos servidores. No entanto, devido ao seu caráter de gestor público, a contratação de funcionários seria feita do jeito como sempre foi: através de concursos. Com a estrutura precária de que dispõe, a solução para continuar com um atendimento de qualidade e humanitário à população seria otimizar a administração, entregando-a à uma empresa especializada no setor. Os pacientes não seriam selecionados de acordo com o lucro e a despesa que gerariam, como teme o Sindicato dos Trabalhadores em Educação na Universidade Federal de Mato Grosso (Sintuf MT). Como explicou o vice-reitor, professor Francisco Souto, na reunião: a empresa é pública e administrará o HU conforme a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Além disso, com os salários atualizados, os servidores teriam motivos para querer o trabalho, e esforçarem-se para passarem nos concursos realizados. Isso resultaria em um aumento da qualidade dos profissionais trabalhando no local. Consequentemente, a população teria a seu dispor um atendimento capacitado e de alta qualidade. Caso este novo modo de gestão não seja aceito, a atual reitora, Maria Lúcia Néder, já deixou bem claro: terá que dispensar mais de 300 servidores e reduzir os leitos em 50%, passando de 100 para 50 vagas disponíveis à população. Além disso, a nova unidade em construção não será implantada. Ou seja, os prejuízos da implantação da empresa EBSERH seriam assim tão altos e iriam tanto contra os princípios de humanização do atendimento a população, que somente sua menção merece desprezo e veementes ataques ao seu estatuto? No momento em que a ideologia passa a ser mais importante que a qualidade de vida dos cidadãos, é necessário repensar se esses ideais foram mesmos feitos para o progresso social. Se continuar com uma gestão só para ter o título de estritamente pública, e colocar as nomenclaturas acima das pessoas, é realmente hora de rever todos os nossos conceitos. STEFANIE MEDEIROS é repórter