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ARTIGO
Sábado, 21 de Dezembro de 2013, 13h:40

ALECY ALVES

Prevenção na escola

Outro dia ouvi, estarrecida, o relato de uma professora de educação física de uma escola pública de Cuiabá sobre o comportamento de um de seus alunos, uma criança de apenas quatro anos. Durante as atividades esportivas, o menino agrediu outro garoto de idade similar por causa da bola de futebol. A professora, que estava entretida com outras crianças, não testemunhou o ato. Entretanto, ao ver o aluno chorando quis saber o que havia ocorrido. Uma menina, que estava próximo, contou: “foi o Pedro que bateu no Caio, professora”. Questionado sobre o motivo da agressão o menino não esboçou qualquer palavra, mas foi alertado pela professora com frases do tipo: “não faça isso, ele é seu coleguinha”. Depois desse episódio, quando os jogos e brincadeiras seguiam normalmente, a professora ausentou-se por alguns segundos(talvez minuto) para apanhar uma bola que saiu do campo. Quando retornou, encontrou chorando a menina que testemunhou e “entregou” o agressor do episódio anterior. Aí, provavelmente para compensá-la pela lealdade, Caio disse: “o Pedro bateu nela, professora”. Pedro, portanto, estava se vingando do ato pequena denunciante. A educadora, mais uma vez, conversou com Pedro. A surpresa maior dela veio da resposta que obteve durante o curto diálogo que teve com o aluno. “Pedro, em mulher não se bate nem com uma flor”, disse a professora. Já o menino lhe respondeu, inocentemente: ”a senhora está por fora, professora, lá em casa meu pai rufa(espanca no linguajar cuiabano) minha mãe todo dia”. A professora contou que ficou paralisada, sem ação. As estatísticas e a história desse menino apontam, no meu entendimento, para a necessidade de ensinar sobre prevenção e combate à violência doméstica nas escolas, desde a educação infantil até, talvez, o ensino médio. No Brasil, a cada cinco minutos uma mulher é agredida, em 70% dos casos pelo marido, companheiro ou namorado. Pesquisa mundial, realizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), apontou que mais de 35% das mulheres do mundo já experimentaram tanto violência física e/ou sexual partindo dos parceiros íntimos ou violência sexual de não parceiros. Alecy Alves é repórter do Diário

Edição EDIÇÃO 16966




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