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ARTIGO
Quinta-feira, 13 de Outubro de 2011, 19h:10

LICIO ANTONIO MALHEIROS

Prêmio Nobel da Paz, feminino

O Prêmio Nobel da Paz foi criado pelo industrial Sueco Alfred Nobel, inventor da dinamite, invenção esta que representa um verdadeiro paradoxo à luz da sua nova criação o Prêmio Nobel. Este teve início em 1901, na Noruega, e foi entregue a primeira vez em Oslo, que é a capital e maior cidade da Noruega, localiza-se no sudeste do país e detém status de comuna e condado simultaneamente. A simbologia de um idealismo, tendo como meta, lutas pacíficas pela segurança das mulheres e por seus direitos na participação da construção da paz, rendeu a três mulheres guerreiras o Premio mais cobiçado, o Nobel da Paz. Esta premiação teve início desde 1901 e nesse período a participação feminina era ínfima. Desta feita, a presidente da Libéria, Ellen Johnson-Sirleaf, sua compatriota Leymah Gbowee e a ativista iemenita Tawakkul Karman conseguiram ganhar um dos prêmios mais cobiçados, o Nobel da Paz de 2011. Este será dividido entre as vencedoras no valor de US$ 1,5 milhão. Este montante equivale a R$ 2,7 milhões. Mais que o valor do prêmio está o reconhecimento da luta destas mulheres aguerridas, e que não foram agraciadas com o mesmo, como forma de benevolência ou coisa que o valha. Elas conseguiram este intento em função de lutas homéricas, usando armas de batalha o convencimento e mais do que isso, através da aculturação, que lhes permitiram ocupar cargos de destaque e desta forma lutaram principalmente pelo direito das mulheres. Só para que as pessoas possam entender a sobreposição e valoração dessas mulheres guerreiras na acepção da palavra, observe vocês a projeção de cada uma delas. Ellen Johnson-Sirleaf, economista mestre em educação pública pela universidade de Harvard e líder do Partido da Unidade, conhecida também como “dama de ferro”, foi a primeira mulher eleita presidente democraticamente, por ter colocado um fim ao conflito armado na Libéria e contribuído para a queda do presidente anterior, Charles Taylor. Este foi julgado por crime contra a humanidade por um tribunal internacional. Sua compatriota ativista africana Leymah Gbowee também ajudou a colocar na presidência sua companheira de luta Ellen, contribuindo de forma decisiva na organização do movimento de paz que colocou fim à Segunda Guerra Civil da Libéria em 2003. Em função disso, foi também premiada. Tendo se formado em terapia, trabalhou com os meninos soldados do ex-presidente Taylor, após sua destituição. E, finalmente, a ativista iemenita da primavera árabe, Tawakkul Karman, opositora ferrenha ao regime do presidente do Iêmen, Abdullah Saleh. Sua recusa a um cargo oferecido pelo governo rendeu-lhe ameaçada de morte. Tentaram comprá-la com um cargo, como comumente acontece em alguns países ocidentais. Resumo da ópera: este prêmio vem coroar o trabalho de mulheres aguerridas e destemidas, pessoas cultas com formação acadêmica e, mais do que isso, com vontade de lutar principalmente a favor do respeito e consideração aos seus direitos. Principalmente, com relação às mulheres africanas e as do Oriente Médio, que historicamente tiveram seus direitos constitucionais vilipendiados e isto ao longo dos anos tem sido algo recorrente; por isso nada mais justo a premiação das mesmas. *LICIO ANTONIO MALHEIROS, geógrafo e pós-graduado em Didática do Ensino Superior [email protected]

Edição EDIÇÃO 16964




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