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Cuiabá MT, Sexta-feira, 19 de Junho de 2026

ARTIGO
Domingo, 13 de Setembro de 2009, 01h:35

EDUARDO PÓVOAS

Política jurássica

Quando políticos tomam determinadas atitudes, estas são analisadas sobre diferentes óticas dependendo da admiração do analista sobre quem fez a declaração. Quando o governador Blairo Maggi definiu seu apoio ao então candidato Lula, tomou “pau” de muita gente que via nisso um absurdo político. Poucos imaginaram que isto poderia render muitos dividendos para o estado. Mesmo que não, a troco de que ele apoiaria um candidato pertencente a um partido que infernizava sua vida dia e noite. O ex-governador Dante de Oliveira ao tomar atitude de extinguir o Banco do Estado de Mato Grosso, e o prefeito Wilson Santos de cancelar sua viagem à África, para tentar minimizar os últimos acontecimentos envolvendo as verbas do PAC, estas sim, são consideradas atitudes de estadistas por alguns! Claro, “farofa pouca, meu pirão primeiro”! O ditado que diz que “santo de casa não faz milagre” ou outro “quanto pior melhor”, parecem ser os preferidos de muitos, independentemente de quem receberá o benefício. A ida do Pagot para o DNIT foi uma guerra. O problema era que o Pagot não lia na cartilha de quem comandou este estado por muito tempo e só conseguiu fazer 200 a 300 quilômetros de asfalto, enquanto o atual, só em vias urbanas já fez 600 quilômetros! Com relação à habitação, sem comentários, perde o governo passado para um formoso João de Barro que habita um poste na estrada de Mimoso e que só nele conseguiu construir sete casas! Pouco importava se a ida dele para o DNIT traria recursos para o estado. O negócio era não o deixar entrar lá! Poderia ser qualquer um, tanto faz do norte, do sul ou do sudeste, menos o Pagot. Este modo de se fazer política é ranço do passado. Um ranço que parecia estar com seus dias contados, volta à tona com a licença do Senador Jaime Campos. Parece-me não ser licença e sim sentença. Sentença ao Estado de Mato Grosso e ao seu povo, que tem no DNIT sobre o comando do Pagot a “bagatela de alguns bilhões de reais que deverão ser investidos por aqui”. Será que um mineiro, gaúcho ou catarinense no DNIT faria isso? Quantos anos temos nossa malha viária em estado deplorável? Agora que vemos a possibilidade de melhora, merece nosso povo ficar entre o rochedo e o mar? A licença do Senador mato-grossense por mais de cento e vinte dias, é um xeque mate ao eleitor que foi às urnas para colocá-lo, e seus dois suplentes, no Congresso Nacional. Esse jogo político do “agora te peguei”, apunhala a vontade popular. Estamos vendo na saúde da capital jogo idêntico, onde a população toda está à mercê da vaidade e intransigência de um alcaide que coloca em uma suposta “amizade e solidariedade” nosso sofrido povo de joelho em milho. Poderia muito bem o Senador tirar sua licença (que é regimental), respeitando as prioridades do estado, o interesse coletivo, desatrelando divergências políticas e se preocupando com o desenvolvimento que deverão aqui aportar com a presença do Pagot no DNIT. Acho que o Pagot deva permanecer no DNIT assegurando um futuro melhor para todos os mato-grossenses que dependem das rodovias federais que por aqui andam mal, até porque esse Senado está com uma bolinha bem murcha. O episódio tem o nítido propósito de revanchismo político, mas seus tentáculos acabaram por dar um duro golpe no eleitor e na democracia que viram sua vontade explicitamente cravada nas urnas, desobedecida por vaidades políticas que de nada contribuirão para o nosso desenvolvimento. O povo de Mato Grosso espera que seus interesses fiquem acima das “picuinhas” de homens e partidos. Caso contrário o recado foi dado a todos: “farofa pouca, meu pirão primeiro”! * EDUARDO PÓVOAS é odontólogo [email protected]

Edição EDIÇÃO 16965




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