ARTIGO
Quarta-feira, 07 de Julho de 2010, 21h:07
A
A
JEAN CAMPOS
Pois é...
Falta bom senso. Condutores de veículos estão cada vez mais mal educados e dispostos a não só infringir a legislação de trânsito como também desrespeitar o direito de outros cidadãos. Neste final de semana um episódio me fez pensar melhor sobre a palavra liberdade. Estava eu, na MT 251, a caminho de Chapada dos Guimarães, lugar onde assistiria ao show do cantor Zé Ramalho, no Festival de Inverno. No meio do caminho, eis que o destino reserva um acidente entre dois veículos que, por sorte, não foi fatal. O acidente acabou causando um engarrafamento sem precedentes. Como entrou na chuva é para se molhar, resolvi esperar. Trinta minutos, quarenta e cinco, uma hora, duas... e eu lá, no mesmo lugar. Nesse período, muitos carros já haviam desistido. Era crescente o movimento de pessoas fazendo o caminho inverso, voltando para Cuiabá. E eu lá, no mesmo lugar. Até então pensava que o direito à liberdade de locomoção poderia ser exercido se optasse voltar à Capital. Resolvi esperar mais um pouco. Confesso que o céu estrelado do caminho à Chapada conseguiu acalmar o transtorno da espera. Mas a calma foi embora depois da terceira hora no engarrafamento. E não foi porque eu estava lá, parado. Quando pensei que poderia voltar, percebo que as duas pistas já estavam tomadas por carros. Na mão, na contramão e até no acostamento que não existe naquela estrada tinha veículo. Antes de ver a via fechada, tive o desprazer de presenciar uma dezena de folgados ultrapassando na pista não permitida. É como se cada um daqueles sorrisos insanos que passavam diante de meus olhos estivessem em slow motion gritando: Se f.. otário!. Eu lá, no mesmo lugar. Nesse instante, mentes férteis sempre começam a pensar em suposições. E se vem um carro no sentido contrário e eles acabam batendo? Será que compensa fazer o mesmo? E se a polícia encontra com eles lá na frente? Tomara! E por incrível que pareça a polícia apareceu. Obrigou alguns a voltarem pelo mesmo lugar que vieram, indo para o fim da fila. Os mais espertos conseguiram se infiltrar em lacunas deixadas por aqueles que não agüentaram esperar. Quase quatro horas depois de carro parado, sigo para Chapada. A raiva diminuiu, mas não acabou. Ficou um rancor que sempre volta à lembrança quando vejo outros espertos que, para obter vantagem perante os demais motoristas, andam na sombra de ambulâncias e até viaturas policiais - despudoradamente. É o famoso jeitinho brasileiro. Difícil procurar solução, quando o problema é educação. Ou melhor, a falta de educação. *JEAN CAMPOS é repórter