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ARTIGO
Quarta-feira, 09 de Fevereiro de 2011, 20h:54

KLEBER LIMA

Partido da Cota Pessoal

Os bastidores políticos mato-grossenses ainda se agitam em debates sobre quem manda mais no Palácio Paiaguás, ou qual partido tem mais influência por aquelas bandas. Muitos apontam o PR de Blairo Maggi e Wellington Fagundes como os grandes beneficiados. Outros já dizem que é o PP. Um pouco menos aponta o PMDB e Carlos Bezerra. Mas, na verdade todos erram. O partido que tem a maior influência no Paiaguás nesse início de administração de Silval Barbosa é o ainda desconhecido - e desconfia-se que nem registrado ainda o seja – Partido da Cota Pessoal, doravante apenas PCP. Pelo menos é o que se conclui obrigatoriamente pelo que se disse ao anunciar o atual secretariado. Aproveitando uma lista feita pelo site RDNews – e tomando-a por verdadeira para economizarmos contas desnecessárias – dos 22 atuais secretários de Estado, nada menos que nove não representam nenhum dos partidos que compuseram a coligação que elegeu Silval (PRB/PP/PT/PMDB/PTN/PSC/PR/PHS/PTC/PRP/PC do B), mas foram indicados pelo Partido da Cota Pessoal - PCP. Embora alguns tenham filiação partidária, estão na conta do Partido da Cota Pessoal a primeira-dama e secretária de Trabalho, Roseli Barbosa; o secretário da Casa Militar, coronel Antonio Moraes; o secretário de Segurança, delegado Diógenes Curado; o secretário de Justiça, ex-desembargador Paulo Lessa; o secretário de Planejamento, José Gonçalves Botelho do Prado; o secretário de Meio Ambiente, coronel Alexander Maia; o secretário Extraordinário de Governo, defensor Djalma Sabo Mendes; o secretário de Fazenda, Edmilson dos Santos; e o secretário Planejamento, Cezar Zilio. Logo, é a maior bancada de secretários de todo o governo. Não se sabe ainda como isso vai funcionar na prática, porque o tal PCP ainda não tem deputados na Assembléia Legislativa para bancá-los ou para respaldar o governo. Também não se viu o tal PCP durante a última campanha granjeando votos para Silval Barbosa - pelo menos não constava da composição da coligação “Mato Grosso em Primeiro Lugar”. Mas, certamente o PCP já estará apto a disputar eleições em 2012, quando haverá as eleições dos novos prefeitos, e deverá ter um desempenho muito maior que todos os partidos da chamada Frentona, que não emplacou nenhum secretário nem fez nenhum deputado. Afinal, se a bancada é tão expressiva é porque o PCP deve ter muita força eleitoral, respaldo político e capacidade administrativa. No segundo e terceiro escalões também há uma montoeira de gente, como diria meu amigo Willian Gomes, sem vínculo com os partidos tradicionais, e que se auto-proclama indicação do PCP. Em outros governos, especialmente no de Blairo Maggi, era comum ouvirmos a explicação de que uma boa parte dos indicados tinha sido escolhida pelo critério técnico. Não era exatamente uma novidade, porque o tal do perfil técnico já habitava o vocabulário político havia bastante tempo – e, ademais, era coerente com a proposta do BM de fazer um governo de não-políticos, de técnicos (podia ser de gerentes, executivos, empreendedores, sojicultores, ex-funcionários da AMaggi ou militares, tanto faz, desde que não fossem rotulados como políticos tradicionais, palavrão que dava urticária na turma da botina). Mas, reconheça-se, o Partido da Cota Pessoal é uma criação original. E esse pode ser seu primeiro mérito. Ademais, um pouco de invenção não faz mal a ninguém. A conferir com o tempo, todavia, as conseqüências dessa invenção. Há outra dúvida sobre o Partido da Cota Pessoal, nosso estreante PCP. Cota Pessoal de quem, afinal? Do governador? De seus amigos? De seus familiares? De financiadores de campanha? De algum oráculo ao qual anda consultando? * KLEBER LIMA é jornalista em Mato Grosso. E-mail: [email protected].

Edição EDIÇÃO 16962




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