ARTIGO
Terça-feira, 28 de Outubro de 2014, 19h:38
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EDUARDO PÓVOAS
Parte da nossa história II
Continuo com a narrativa do Professor Lenine Póvoas. Universidade por aqui não havia e quem quisesse graduar-se em profissões liberais, tinha de emigrar para o Rio ou São Paulo onde a Faculdade de Direito do Largo São Francisco já havia adquirido fama. Muitos dos nossos homens públicos e dos nossos mestres foram autodidatas, embora sem diploma adquiriam pelo esforço próprio, uma formação profissional e um lastro de cultura que atingiram muitas vezes a níveis admiráveis. O desejo de progredir levou Governo e particulares a fundarem ginásios e escolas normais. Este foi o ambiente cultural que encontraram algumas celebridades nacionais que visitaram Mato Grosso naquela década, entre eles o grande Monteiro Lobato, e o ínclito Professor Antenor Nascentes. Não era fácil destacar-se alguém num ambiente em que pontificaria um Manoel Peixoto Corsino do Amarante que da humildade da sua meninice projetou-se pelo seu talento até atingir o posto de Coronel do Exército, Professor da Escola Militar da Praia Vermelha e preceptor dos filhos de Dom Pedro II, onde brilhavam um Candido Mariano da Silva Rondon, que pela sua inteligência, bravura, preparo profissional e civismo, tornou-se conhecido no exterior de onde veio o ex-presidente Roosevelt para conhecer-lhe. A obra imortal de Dom Aquino Correa duas vezes diplomado nas Universidades de Roma, considerado o Príncipe da Literatura Mato-grossense, representando o Brasil em eventos internacionais conquistando uma cadeira na Academia Brasileira de Letras, um Joaquim Duarte Murtinho que pela sua postura de estadista salvou o Brasil de uma de suas crises cíclicas como Ministro do Governo Campos Salles, um Virgílio Correa Filho que por tantos anos honrou Mato Grosso no Instituto histórico e Geográfico Brasileiro do qual foi Secretário Geral. Não fossem favores oficiais, não teríamos hoje o monumento das obras imortais de Dom Aquino Correa, não teríamos os trabalhos da Comissão Rondon que atestaram o talento e a capacidade profissional do ínclito Marechal Candido Mariano da Silva Rondon, o Civilizador dos Sertões, e de vários de seus eminentes auxiliares desde os minuciosos relatórios científicos até a famosa Carta de Mato Grosso que serviu de base para a elaboração do mapa do Brasil ao milionésimo; não teríamos hoje a imorredoura obra de Estevão de Mendonça as Datas Mato-grossenses verdadeira bíblia de todos que se propõe a escrever sobre história de Mato Grosso e muitos outros. No terceiro artigo falo sobre outras personalidades que esta terra produziu, e que se não fosse o cuidado de alguns, seus maravilhosos feitos estariam jogados sarjeta afora, e nossos estudantes com a imagem de que nossos ancestrais viviam para tocar onças, jacarés e macacos da rua. *EDUARDO PÓVOAS - pós-graduado pela UFRJ