Vamos concordar que os políticos são um mal necessário. A dúvida é se precisamos de tantos deles ou se metade, ou um terço do que temos hoje daria conta do recado. Aceitemos também que precisamos de funcionários públicos, mas, de novo, o município, o Estado ou a União precisam de tantos? Empresários e executivos sabem que nos tempos de bonança há alguma acomodação administrativa com consequente aumento dos gastos, entre eles, talvez o mais importante, o custo com pessoal. Quando se anuncia ou surge uma crise a primeira coisa que o comando geral determina é a revisão dos gastos. Se nas empresas privadas, onde se busca o lucro, acontece muitas vezes o descontrole nos gastos, imaginem o que ocorre na esfera pública, onde o dinheiro não tem dono. Quando premidos pelos custos os empreendedores cortam funcionários. Primeiro tiram aqueles que não participam diretamente do processo produtivo. Assim saem os dos setores intermediários e de controle preservando os que produzem e vendem. Se aplicado esse raciocínio à vida pública, nesta hora de crise, poderíamos dispensar 50%, ou mais, dos deputados federais, estaduais, senadores e vereadores, com seus numerosos assessores e funcionários. Também eliminaríamos um ou dois terços dos ministérios e secretarias. Claro que isto é só um desabafo ou uma ficção literária. Ninguém espera que os donos do poder e do dinheiro da viúva abram mão dos privilégios autoconcedidos ou que desistam de colher o que nunca plantaram. No extraordinário livro A Revolta de Atlas, referência ao Titã que punido por Zeus, carrega o mundo nas costas, a autora mostra uma situação onde os que produzem são manipulados e explorados por parasitas (governo) que desconhecem o valor do trabalho e vivem às custas dos que criam, geram empregos e riquezas. Mas voltando para nosso assunto. Como foi que nos acostumaram a carregar nas costas o peso enorme dessa turma ociosa e corrupta? Como apoderaram de nosso trabalho para sustentar esse bando de sugadores que não rema nem tira a água da canoa? Que extraordinária lavagem cerebral nos fizeram! Convenceram-nos a exercer o obrigatório sagrado direito ao voto, elegendo e reelegendo cada 4 anos, tantos quantos eles acham necessários. Atlas somos todos nós que produzimos, criamos, damos empregos, trabalhamos, pagamos impostos. Nas nossas costas estão os milhares de políticos, ajuntados em grupos, que eles chamam de partidos, pensando somente na melhor forma de reeleger-se e continuar levando a vida na flauta. Mas o troco chega, pelo menos na ficção. Não vou contar como, porque alguém pode interessar-se por esse livro e estragaria a expectativa do final. Recomendo a leitura deste romance que está há mais de 50 anos como o segundo livro mais importante dos Estados Unidos (perde só para a bíblia), conforme a Biblioteca do Congresso Americano e com mais de 10 milhões e cópias vendidas no mundo inteiro. Só precisa de algum fôlego e tempo, pois são quase 1.400 páginas. * RENATO DE PAIVA PEREIRA empresário e escritor
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