NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Sexta-feira, 19 de Junho de 2026

ARTIGO
Quinta-feira, 25 de Julho de 2013, 21h:03

CESAR VANUCCI

Papa Francisco

Muitas revelações preciosas a fazer a respeito do fascinante personagem que o Brasil acolhe com os braços abertos e o coração em festa. Chico e sua irradiante simpatia, seu irresistível carisma e jeito cativante, já começou a mostrar ao mundo, neste curto espaço de tempo de pontificado, a que veio. Condenou explicitamente, sem que suas palavras lograssem encontrar, sabe-se lá porque cargas d’água, a repercussão desejada por parte da grande mídia internacional, a conjuntura econômica perversa, que sujeita multidões ao opróbrio da miséria extrema. Assumiu postura mais consentânea com os valores da mensagem espiritual de que a Igreja é fiel depositária, mensagem que chega do fundo e do alto dos tempos e que acena com o bem-estar social e a confraternização universal para os homens de todas as latitudes, crenças e raças. Adotou hábitos de simplicidade nas rotinas da função exercida. Interveio com firmeza nos negócios nebulosos praticados por colaboradores infiéis no célebre Banco do Vaticano. Num ato de forte simbolismo, provocando manifestações raivosas de líderes europeus despojados de sensibilidade social e senso humanístico, criticou o que chamou de “globalização da indiferença”, ao deslocar-se para o porto marítimo de Lampedusa, em território italiano, e lamentar, com veemência, o tratamento iníquo dispensado aos imigrantes africanos que ali aportam. Confessando-se mortificado com o fato, recordou que na insegura travessia marítima dessas levas de párias escorraçados de seus pagos e que se atiram, mar afora, com a esperança vaga de chegar a um lugar que se lhes possa oferecer condição de vida um pouco melhor, 60 mil pessoas, aproximadamente, já perderam a vida. Vergastou procedimentos, no campo da moral e dos costumes, incompatíveis com a dignidade da função eclesial, praticados por dignitários da instituição que comanda. O Papa Chico veio ao nosso País para participar com jovens de todos os lugares e idiomas, uma geração inteira apoderada de esperança na reconstrução das estruturas sociais humanas, de uma extensa vigília baseada no estudo e discussão das temáticas angustiantes destes conturbados tempos modernos. É de se esperar que dos contatos havidos na Jornada Mundial da Juventude, muitas inspirações novas possam aflorar de modo a refazer os caminhos futuros da Igreja. De maneira a levar a nau de Pedro a compreender melhor as angústias do homem moderno, a libertá-lo de carcomidos preconceitos e mitos. A imprimir sentido prático ao ideal ecumênico, a inserir-se pra valer nas lutas contra os desníveis sociais, a favor da preservação do meio ambiente. A repensar posições a respeito de tabus gerados pela vontade humana e não por algum valor espiritual sagrado, como acontece, por exemplo, com relação ao celibato sacerdotal, a vedação do acesso da mulher ao ministério sacerdotal e por aí vai. O Papa Francisco é possuidor das qualificações de liderança desejáveis na promoção da grande ação reformista, cristã, evangélica, ecumênica, humanitária, pela qual o mundo inteiro anseia. * CESAR VANUCCI é jornalista [email protected]

Edição EDIÇÃO 16965




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL