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ARTIGO
Sexta-feira, 26 de Fevereiro de 2010, 21h:38

PAULO ZAVIASKY

Os escândalos de ontem

A diferença entre os escândalos de hoje e os de ontem é a quantidade sem qualidade. Explico. Antigamente, cidade pequena, todo mundo conhecendo o rabo de todo mundo, tanto é que quando um cuiabano assume algum poder, seja no judiciário, no legislativo e principalmente no executivo, faz questão absoluta de manter seu povo daqui longe dele. Só convida para as benesses dos poderes ilustres alienígenas de outras plagas que nada sabem sobre Cuiabá, nem MT e muito menos sobre o novo rei cuiabano no poder daqui. Daí porque os cuiabanos não gostam de votar na gente daqui mesmo. Sabem que já estão fora mesmo... Cuiabá é a única cidade do mundo que fica fora do circo dos prazeres quando um cuiabano é eleito e quando um extraterrestre também. Um, por ser extraterrestre e outro, justamente por ser cuiabano. Em recente reunião que urrou de tantos cuiabanos um sino soou sobre isso mesmo. Há um consenso atual que cresce no meio da gente daqui sobre essa velada “proibição” contra os cuiabanos defenderem seu próprio berço. Se alguém ousa levantar bandeira a favor desta terra de Rondon, meia dúzia de ativistas marcianos e plutonianos protestam, gritam e pulam de dentro de seus discos voadores taxando os varredores de nossas próprias ruas de xenófobos, discriminadores contra povos irmãos. Mas, alguns deles, conhecidos demais da gente daqui, não poupam as críticas contra o nosso povo e até criam ONGs para defenderem as coisas erradas cuiabanas, como se não tivéssemos competência para isso. Mas, jamais tentam criar uma dessas mesmas ONGs lá em seus planetas de nosso sistema solar. Amanheceriam, lá, com a boca cheia de formiga. Fogem de seus discos voadores, sempre cito com repetição insistente a palavra “alguns”, e aterrissam por aqui, fundando ONGs, religiões com direito a gritaria nas TVs de donos incompetentes, arrecadam dinheiro de fiéis e de governantes receptadores e ainda gritam contra nós que somos obrigados a ficar silentes e taxados de criminosos discriminadores xenófobos. Esquecem que há países que proíbem a entrada de cães e brasileiros por lá e até a ONU cala a boca. E, proporcionam essa gama enorme de escândalos onde os cuiabanos são meros espectadores, vide os últimos escândalos onde somos obrigados a concordar com essa enorme lista que percorre redações de imprensa importantes daqui onde nenhum cuiabano consta do rol desses vergonhosos escândalos de hoje. Desde os primeiros sustos dos escândalos “modernos” nesta Cuiabá com as ambulâncias, os sanguessugas, os primatas empresários, construtores indo até o fantástico empreiteiro que vive afirmando que é amigão do Blairo Maggi e que está rufando o pau no cangote de Cuiabá exigindo que parem as obras das ETAs do Tijucal e adjacências, pois, apesar de já ter recebido o dinheiro da prefeitura, vive afirmando que o governador quer ver o cuiabano morrer de sede. Uma mentira deslavada, pois conhecemos o Maggi, talvez até mais que esse fantástico empreiteiro que vive pedindo a paralisação das obras que ele mesmo está construindo para Cuiabá. Uma enxurrada de escândalos de gentinha de ponta de rua e com valores que, apesar do susto é fichinha de ponta de rua aos de nosso passado. A SPEVEA – Superintendência para a Valorização Econômica da Amazônia; os meandros da Sudam – Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia; a Sudeco – Superintendência para o Desenvolvimento do Centro Oeste; o BASA – Banco da Amazônia; o Bemat – Banco do Estado de Mato Grosso; a Lemat – Loteria do Estado de Mato Grosso eram escândalos criminosos milionários, elegantes, ricos, inteligentes. Os titulares dessas entidades, quando descobertos, simplesmente colocavam todas as verbas que eram do governo federal, em grandes sacos de estopa e os jogavam dentro dos quintais de amigos privilegiados. E estes, da noite para o dia, se transformavam em empresários de hotéis, fazendas, comércio e políticos. Eram escândalos para ano inteiro de comentários e desenvoltura exemplar para apenas alguns seletos beneficiados que formaram a geração sublime das famílias de antanho que mandavam em Cuiabá por essas razões inteligentes. Hoje banalizaram tais ações que passaram a ser chamadas até de bolsas-crimes, com direito a algemas das madrugadas e prisões, coisa que jamais aconteceu no passado recente daqui. Hoje, pipocam essas ações até infantis nos três poderes, porém o dinheiro dos ladrões é descoberto e são seqüestrados pela justiça ao contrário de ontem. A única coisa que empata o hoje com o ontem ilegais é a impunidade. * PAULO ZAVIASKY é jornalista [email protected]

Edição EDIÇÃO 16966




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Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
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