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ARTIGO
Segunda-feira, 11 de Outubro de 2010, 19h:00

ADILSON ROSA

Os desempregados

De dois em dois anos, o país cria um categoria especial de desempregados. São os políticos que foram reprovados pelas urnas e iniciam o ano sem cargo – e principalmente sem renda. Alguns, com mais de 12 ou 15 anos de vida pública, nem lembram mais seu ofício de formação. Então, começam a surgir especulações a respeito sobre tal político, o que ele fará para ganhar a vida, pois perdeu o cargo público. Como daqui a dois anos, o calendário democrático prevê mais uma eleição, muitos preparam o caminho, pavimentando a estrada para ter uma candidatura tranqüila. Todo político derrotado sabe que é fácil falar. Difícil é sobreviver esse período, pois a reprovação nas urnas acaba dizimando o partido político que perde filiados, cargo no governo e por aí vai. São derrotas seguidas – ou única – que já transformaram grandes partidos políticos em nanicos, diminuindo consideravelmente seus quadros de filiados e principalmente a influência, tendo que viver de lembranças. E o político sabe que não existe nada mais humilhante do que deparar com um cidadão comum – na visão deles, um eleitor – e passar a impressão de que ficou pobre sem o cargo eletivo. O cidadão poderá ter muitas reações mas duas são mais comuns. A primeira é ficar com dó do político. A segunda, é pensar em chamá-lo de burro, uma vez que “ficou tanto tempo no poder e não roubou nada”. Com o Ministério Público rastreando as ações dos políticos, fica difícil tentar saquear o erário. E quem faz isso, leva uma ação no lombo e fica com a pecha de ladrão ou ladra. Aliás, para o brasileiro comum, a política que rouba não é conhecida como ladra, mas sim como ladrona. Muitos leitores deverão achar inocente esse meu comentário, uma vez que muitos amealharam um bom patrimônio e nem precisarão trabalhar depois dessa aposentadoria compulsória ditada pelas urnas. Muitos políticos – com política nas veias – tentam fingir que vão dar consultorias ou algo do gênero. Temos médicos, advogados e muitos fazendeiros que voltarão para casa, a partir do próximo dia 1º de janeiro. *ADILSON ROSA é repórter

Edição EDIÇÃO 16962




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