NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Sábado, 20 de Junho de 2026

ARTIGO
Segunda-feira, 08 de Junho de 2015, 21h:14

ORLANDO MORAIS

Opção pelo mal

A psicologia moderna, ou melhor dizendo, os psicólogos modernos, têm uma tendência a confundir crime com doença, agente com paciente, sujeito com objeto. É o caso dos transtornos de personalidade: a psicologia caracteriza com muita exatidão os indivíduos com tais problemas, relaciona com precisão os sintomas, mas se engasga no momento de definir as causas, porque fica no meio termo entre causas ambientais e hereditárias e se esquece do principal componente que os causam: o livre arbítrio de cada um. Veja, por exemplo, o caso do “transtorno de personalidade histriônica”, uma epidemia que só não podemos chamar de “silenciosa” porque seus agentes gostam de aparecer e são muito barulhentos. Senão vejamos: Comportamento exibicionista; Busca constante por apoio ou aprovação; Dramatização excessiva com demonstrações exageradas de emoção; Sensibilidade excessiva frente a críticas ou desaprovações; Orgulho da própria personalidade, relutância em mudar e qualquer tentativa de mudança é vista como ameaça; Aparência ou comportamento inapropriadamente sedutor; Necessidade de ser o centro das atenções; Baixa tolerância à frustração ou à demora por gratificação; Mitomania; Busca de parceiros simultâneos; Tendência em acreditar que relacionamentos são mais íntimos do que na realidade o são; Difamação de pessoas que competem com sua atenção (a lista foi retirada do site da Associação Americana de Psiquiatria). Se o seu chefe ou o gerente da empresa onde você trabalha não é assim (ou se você mesmo não possui ao menos quatro dessas características), levante as mãos aos céus, pois a epidemia se alastra. Como eu dizia, os psicólogos têm uma propensão a dizer que as pessoas que agem como o descrito acima ou tiveram um trauma na infância, ou nasceram com certas tendências e tal, quando na realidade elas tiveram uma escolha. O histriônico pode chegar ao ponto de ser um doente, mas ele é, antes e acima de tudo, um mau-caráter. A cada momento de sua fantasiosa vida, ele, na sua plena consciência, faz a opção pelo mal: quando mente para subir na vida; quando sabota um colega de trabalho; quando fala mal pelas costas; quando chora, atormenta ou chantageia alguém para obter favores; quando trai e maltrata as pessoas que são do seu círculo íntimo; quando maquina vinganças; e quando se compraz com o sofrimento alheio. Os psicólogos dizem: “Os transtornos AFETAM muita gente hoje em dia”; mas o correto seria dizer: “Cada vez mais pessoas sem transtorno algum SÃO AFETADAS por pessoas com transtornos”. O histriônico sempre se faz de vítima, mas na verdade ele deixa atrás de si um rastro de humilhação e sofrimento. ORLANDO MORAIS é filósofo e jornalista.

Edição EDIÇÃO 16966




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL