ARTIGO
Quinta-feira, 01 de Março de 2007, 21h:07
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ADILSON ROSA
O PT e a educação
O deputado federal Carlos Abicalil (PT) tem a obrigação profissional de assumir a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) caso o titular, Luiz Antônio Pagot, seja nomeado novo presidente do Dnit. Abicalil é um sindicalista de renome nacional, foi presidente durante quatro anos da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ensino Público (CNTE), um item que poucos possuem em seu currículo profissional. Ele tem mais do que projeto, possui vivência na área e sabe onde começam e onde terminam os inúmeros problemas na educação. Se for convidado, ele deveria largar as obrigações políticas e, quem sabe?, numa vaidade pessoal, assumir o segundo cargo mais importante da vida de um educador, o mais importante, é lógico, é o de ministro da Educação. Abicalil possui mais, tem trânsito livre em Brasília, pois é homem de confiança do presidente Lula. O professor Abicalil terá a competência que sempre teve na área educacional, além de mais recursos oriundos do Ministério da Educação, pois o governo Lula projeta uma espécie de PAC (Projeto de Aceleração do Crescimento) também para a educação. Somados os dois itens, será uma revolução na educação, uma nova era. Seria o momento excelente de se colocar em prática uma política educacional, a hora exata da educação ser valorizada e os cidadãos sentirem a diferença entre a promessa de se investir em educação e a realização dessas promessas. Mesmo com a cadeira vaga, Abicalil ainda terá alguns obstáculos a vencer caso queira assumir o cargo. O primeiro é o fato dele ser pré-candidato natural a prefeito de Cuiabá. Ele é um prefeiturável, sim. Porém, será mais importante concorrer a um cargo cuja eleição não está garantida, do que trabalhar em prol da educação? Aí entra a avaliação do partido. Ele é mais um soldado, etc. e tal. Tudo porque pode trocar o certo pelo duvidoso. Duvidoso porque para um educador, nada melhor do que colocar em prática seus conhecimentos, provar que as teorias na prática resultam em maior qualidade de ensino. Louros políticos ele vai colher, naturalmente, com uma boa administração. Um bom trabalho na educação será o reconhecimento de sua competência no poder executivo. Como nem todos os militantes do PT são educadores e existe uma disputa política daqui a dois anos, pode não ser um bom negócio deixar Abicalil à frente das decisões educacionais. Afinal, o PT de hoje não é mais aquele de antigamente, quando estava somente na oposição. ADILSON ROSA é jornalista