Este episódio chocante, inacreditável, danado de insolente e desrespeitoso, do helicóptero pertencente a um parlamentar, abastecido com combustível pago pelo erário, conduzindo pasta-base de cocaína para refino não pode deixar de ser investigado a fundo. Remexido pelo avesso, com os devidos rigores da lei, de modo a deixar definidas, tintim por tintim, todas as responsabilidades. Doa a quem doer. É o que a opinião pública, sobressaltada e indignada, exige nesta exata hora. Os relatos da mídia sobre o grave ato delituoso, salpicados de revelações controvertidas, assumem proporções ainda mais assustadoras ao ter-se sob mira os valores pecuniários em jogo na operação abortada pela polícia. São 450 mil quilos de pasta. No mercado de consumo sustentado pelo tráfico de drogas, um gramado produto refinado pode render cem reais. Façam as contas, concebendo a hipótese, bem razoável, de que o helicóptero já possa ter sido empregado, outras ocasiões, no transporte do mesmo tipo de carga. Os algarismos decorrentes dos cálculos são de estarrecer um frade de pedra. E não tão somente apenas um único frade. São de estarrecer, juntas, todas as estátuas de pedra dos Apóstolos esculpidas por Aleijadinho no adrio da Igreja do Senhor Bom Jesus de Matozinhos, em Congonhas do Campo. Má vontade com a Petrobras. Para quem acompanha o noticiário nosso de cada dia fica bastante notória a má vontade de boa parte da mídia, de abalizados analistas econômicos, de pessoas que se entregam ao jogo especulativo da Bolsa, desse ser incorpóreo rotulado de mercado, porta-voz insaciável de interesses encobertos pelos reposteiros, com relação à nossa Petrobras. A maior empresa do País e da América Latina é alvo permanente de criticas acerbas. Por isso ou por aquilo. Tudo vale como pretexto nesse esforço frenético de desqualificá-la. Atacam-na por haver majorado os preços dos combustíveis. Ou por não ter majorado os preços dos combustíveis em valores compatíveis com os praticados internacionalmente. Acusam-na de não haver facilitado a participação de um numero mais elevado de petrolíferas estrangeiras nos leilões do pré-sal. Ou por haver aberto em excesso a chance de presença estrangeira nos leilões do pré-sal. E por ai vai. Ao observador atento sobra, no duro da batatolina, como era costume dizer-se antigamente, a suspeita de que essas estranhas reações bebam de certo modo inspirações nos desejos impatrióticos de alguns setores de ver a grande empresa, algum dia, privatizada. A preço de banana. Bem entendido, de banana refugada em sacolão de subúrbio. * CESAR VANUCCI é jornalista
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