Neste fim de semana, o governador Blairo Maggi apareceu em uma foto tirada na entrega de troféu no jogo do Brasil e Finlândia, no novo Ginásio Aecim Tocantins. Nada demais, se não fosse pela camiseta da Polícia Militar que vestia na ocasião. Do mesmo modo, nada contra a Polícia Militar. Apenas contra o momento. A PM está vivendo um enorme inferno astral, como de resto toda a segurança no Estado. O episódio de Rondonópolis, que resultou em uma morte e em muitos feridos, foi muito grave e ficou mal resolvido aos olhos da sociedade. Foi grave, porque resultou em morte e ferimentos de civis, numa operação boba inventada para fazer graça na despedida de comandante regional. Polícia Militar só deve aparecer, mesmo assim com armas descarregadas, em desfile de 7 de setembro. No mais, é quartel e rua, trabalhando. O governo não se desculpou com a sociedade mato-grossense e deixou a PM com uma dívida muito ruim e mal resolvida. Era indispensável uma nota oficial do governo de Mato Grosso se posicionando sobre o assunto. A nota não veio e a imagem da corporação está muito comprometida. É por isso que o governador não deveria vestir a camiseta policial. Quando ele fez isso, deu a impressão de que estava absolvendo a corporação do pecado que a sociedade não absolveu. Basta ver as cartas dos leitores das três últimas edições deste jornal, e os artigos publicados nos jornais e nos sites. A indignação ainda continua crescendo. Realmente, a Polícia Militar como instituição não merecia passar pelo que está passando. Mas é da sua responsabilidade corrigir a mancada. Não do governador. Aqui entra outra face da questão. O governo tem uma Secretaria de Comunicação Social bem estruturada e com bom orçamento, assistida por boa equipe de profissionais e assessorada por cinco excelentes agências de publicidade. Logo, teria tudo para assistir o governador nesta questão de imagem governamental. O governante tem uma percepção política à flor da pele e age, freqüentemente, por impulso. Tanto, que o governador Blairo Maggi despencou de Alta Floresta direto para Rondonópolis para marcar presença moral. Mas faltou-lhe a presença racional do assessoramento de imagem, que o aconselhasse a emitir uma posição pública e formal, e a dizer à sociedade de Rondonópolis via da imprensa local, as suas condolências e o conforto moral. A figura institucional de um governante tem um poder enorme de influência sobre a população. Certamente, um pronunciamento claro e imediato a respeito daquela crise, certamente aliviaria a dor social, e daria ao governador um voto de crédito. A sociedade sabe que ele é pai e compreende as dores familiares. Mas seria necessário que especialistas o aconselhassem tecnicamente. Quem sabe, não esteja faltando ao governador chamar a sua Comunicação Social para mais perto de si, e a Comunicação Social, ouse e use mais a sua força técnica e institucional? Talvez o governador não precisasse usar a camiseta errada na hora errada. Haveria outras opções de projetos e de campanhas sociais para serem valorizados naquele bom momento e local de extraordinária visibilidade. * ONOFRE RIBEIRO é articulista deste jornal e da revista RDM
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