ARTIGO
Sexta-feira, 27 de Maio de 2011, 20h:09
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ELDES IVAN DE SOUZA
O fim do mundo
De novo, uma nova previsão: o mundo vai acabar. Foi assim que o americano Harold Camping, um fundamentalista cristão de 89 anos, líder do movimento cristão Family Radio da Califórnia, vaticinou. Esse grupo chegou a fazer uma campanha internacional para anunciar o começo do fim da raça humana na Terra, baseado na interpretação que seu líder fez de várias passagens da Bíblia e de acontecimentos históricos. A data do fim do mundo seria sábado passado, dia 21 de maio do corrente ano. Esse assunto foi o mais falado na internet durante o sábado que se passou. Ao que se sabe, Harold Camping fez uma previsão semelhante no passado. É verdade que pequenos tremores de terra ocorreram no sábado, inclusive no norte da Califórnia e pela Nova Zelândia. Mas nenhum dos eventos, incluindo a erupção vulcânica, foi destrutivo, na medida em que previu Camping, anota o The Christian Post, de 22 de maio de 2011. Mas essa visão apocalíptica do fim dos tempos não é próprio somente de fanáticos religiosos. Cientistas também se dão a esse trabalho, como foi o caso de Isaac Newton, descobridor da lei da gravidade, que igualmente previu o fim do mundo para o ano de 2060 a partir de estudos bíblicos. A cada fracasso dessas previsões, vem-me à mente o fato de que há muitos anos os teólogos acreditavam que, uma vez que a Bíblia afirmava, numa de suas passagens, que O sol parou, eles, então, deduziram que o sol se movia ao redor da Terra e, a partir daí, concluíram que a Terra era o centro do Universo e que o sol girava ao seu redor. Foi durante a Renascença que Copérnico elaborou, juntamente com outros, uma outra teoria: a de que a Terra não é o centro, mas se move ao redor do Sol. A essa altura dos acontecimentos, Galileu Galilei, físico, matemático e astrônomo italiano, sustentou a tese de Copérnico (Teoria Heliocêntrica), e por sustentar essa verdade científica acabou condenado pela Igreja por defender uma tese herética, morreu cego, longe do convívio público, e somente 341 anos após a sua morte, em 1642, a mesma Igreja, revendo o processo, decidiu pela sua absolvição. De tudo isso, uma grande verdade: a Bíblia não é e nunca foi um manual científico. Pretender fazer previsões de fim do mundo a partir de estudos bíblicos é ignorar essa grande verdade, sobretudo desconhecer que a sua interpretação literal, ao pé da letra, é uma grande temeridade. Daí o fracasso de tantas previsões! *ELDES IVAN DE SOUZA é juiz de Direito aposentado do TJ/MT