Louvado seja o profeta mulçumano Maomé em crença, culto e devoção. Imprópria seja a fotografia da princesa inglesa em intimidade devassada contra a liberdade de expressão. Condenada seja a fúria deflagrada em nome de uma religião amplamente cultuada diante do mundo pagão. Bem aventurada à fé que une a humanidade de página em página publicada em opinião. Livros de uma Lei Divinal. Tablóides em conteúdo mais do que pessoal. Mortos e feridos em confronto mais do que existencial. Coroa imperial. Manifestos e manifestantes. Povos de terras nem tão distantes. Instantes de barbaridade motivados pela autêntica liberdade que nunca aconteceu. Momentos de uma fatalidade envolta por quem viu, por quem leu e por quem assistiu. Quem profanou? Quem provocou a fúria descontrolada? Quem professou a fé de mão armada? Palavras em nada cruzadas. Passatempo em pautas retaliadas. Vidas sucumbidas em atentados continuados além de bombas disparadas. Intolerância e indignação. Terra em transe numa mesma rotação. Hora da prece pela concórdia sem fronteira internacional. Rosas despetaladas num mesmo roseiral. Primavera dos cravos em confronto existencial. Filme impróprio para um público mais do que pagante. Fotografia em francês mais do que desconcertante. Fúria cristalizada em cicatriz. Fé destituída da autêntica matriz conciliadora. Divino em confronto dogmático. Retrato em explícito desrespeito em nada iniciático. Decadência de princípios e de valores. Imprudência e intolerância cadenciada em barbárie movida por horrores. Declínio da igualdade isenta de tribunal. Falência da humanidade no quesito fraternal. Latência de uma guerra distanciada da paz mundial. Sangue e sanguessugas. Bravatas e rusgas. Rascunho de um confronto com mais de uma tradução. Tronos e trombetas nos tratados pontuados pela ausência do perdão. Ilhados ou náufragos de uma embarcação à deriva? Alvejados ou bombardeados em uma história mais do que interrompida? Profeta e princesa na mesma rota da intolerância em reticentes colisões. O filme, a foto, a fúria, a fé em decadentes missivas quiçá margeadas em condenações. Nações e povos destituídos de valores inerentes às reconciliações. Orações irmanadas. Confluências pacificadas. Império e fé de mãos dadas. Epílogo além do tempo das Cruzadas. Páginas desfolhadas, páginas devassadas, páginas viradas. Fim! *AIRTON REIS é poeta em Cuiabá
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