Carlos Fávaro correu para o colo político do ex-presidente Lula da Silva e poderá disputar o Palácio Paiaguás com o governador Mauro Mendes (União) que tentará a reeleição.
Enquanto Fávaro permanecia em silêncio sobre a Presidência, mas dando sinais de que bolsonaria, não se ouvia um pio sequer sobre seu posicionamento político na Imprensa e nas redes sociais.
Não havia preocupação quanto a ele no contexto mato-grossense.
Invoco a internet com sua memória incorruptível e somo fragmentos de textos anteriores, quando o chamava de senador biônico, para focalizá-lo, longe da agressividade que ora o atinge, porém com a franqueza como sempre o tratei.
O senador Carlos Henrique Baqueta Fávaro, do PSD, é a imagem da ambição política que não respeita princípios éticos e como se fosse uma avalanche no cerrado passa sobre companheiros, bem ao estilo correntão.
Em 29 de abril de 2011, Fávaro assumiu a presidência da poderosa Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja).
Àquela época, tanto a Aprosoja regional quanto a nacional eram presididas pelo produtor Glauber Silveira, o Maguila, que sofria desgaste pela longevidade à frente daquelas entidades, e Eraí Maggi Scheffer bancou o nome de Fávaro para a presidência regional.
Fávaro na Aprosoja era parte de um plano de Pedro Taques com apoio de Eraí à frente do baronato do agro.
À época, Taques era senador pelo PDT, e Blairo Maggi estava no Senado, pelo PR.
Eraí via em Fávaro (filiado ao PP) o nome ideal pra compor a chapa de Taques ao governo em 2014, por sua capacidade de articulação, boa oratória e afinidade ruralista.
No dia 5 de novembro de 2013, como parte do plano para 2014, Fávaro reelegeu-se na Aprosoja e com intensidade migrou para as páginas dos jornais, sites, rádio e TV.
Em 2014 Taques venceu a disputa ao governo com Fávaro (PP) de vice.
Taques tinha delírios com a Presidência e abriu espaço ao vice, que foi mandachuva na Secretaria do Meio Ambiente (Sema), pela qual respondeu enquanto titular em parte do mandato.
Os olhos de Fávaro incharam de tanto querer o poder.
Em 28 de setembro de 2015, ele deu importante cartada.
Naquela data assumiu o PSD em Mato Grosso, sucedendo José Riva, que caiu em desgraça.
Com ele, ficou o grupo denominado Viúvas de Riva, formado por prefeitos e ex-prefeitos; também ficou o deputado estadual Gilmar Fabris.
Taques deixou o Ministério Público Federal, mas esse continua nele.
No Paiaguás, estava em curso o criminoso esquema de escutas telefônicas clandestinas chamado de Grampolândia Pantaneira pela sabedoria popular.
Fávaro ficou na mira de escutas.
O governador sabia que o vice queria atravessar seus planos políticos, com a ajuda de Eraí.
Certa vez, Taques mandou um recado para Fávaro em meio a um pronunciamento, onde disse que a política adora traição, mas abomina traidores.
Os presentes não notaram, mas Fávaro ficou corado.
No dia 5 de abril de 2018, Fávaro renunciou ao cargo de vice-governador.
Eraí o queria senador, mas acontece que a rusga com Taques colocava em risco seu projeto ao Senado.
A lei dizia que em caso de viagem do governador ao exterior, automaticamente o vice seria revestido do cargo.
Taques – como se diz nos meios políticos, não é flor que se cheire – poderia embarcar para Santa Cruz de la Sierra, de uma hora pra outra, e se fizesse isso, Fávaro seria inelegível para senador.
Dos males o menor.
Uma carta e muitos discursos pregando desprendimento chancelaram o adeus à vice-governadoria.
O senador Carlos Henrique Baqueta Fávaro, do PSD, é a imagem da ambição política que não respeita princípios éticos e como se fosse uma avalanche no cerrado passa sobre companheiros, bem ao estilo correntão
Fávaro saiu ao Senado na chapa de Mauro Mendes (DEM), que venceu, mas ele foi derrotado – ficou em terceiro na disputa, com 434.072 votos numa chapa com os suplentes Geraldo Macedo (PSD) e José Lacerda (MDB); foram eleitos Selma Arruda (PSL), com 678.542 votos e Jayme Campos (DEM), com 490.699 votos.
A chapa de Selma foi cassada por crimes de caixa dois e abuso de poder econômico.
Mauro Mendes representou no Supremo Tribunal Federal (STF), pedindo a recomposição da representação de Mato Grosso no Senado.
O presidente do STF, ministro Dias Toffoli, determinou que o Senado desse posse a Fávaro e homologasse seus suplentes.
Em 17 de abril de 2020, Fávaro foi revestido com a bionicidade.
Na eleição suplementar ao Senado, em 15 de novembro de 2020, Fávaro venceu a disputa com 371.857 votos, numa chapa com os suplentes Margareth Buzetti (PP) e José Lacerda (MDB).
Tanto Eraí quanto Blairo querem a eleição de Lula e isso caiu como luva para Fávaro, que, inicialmente, é coordenador da campanha à Presidência, mas que está vestido de noivo ao pé do altar à espera da noiva que atende pelo nome de candidatura ao governo.
Tudo sugere que Fávaro e Mauro Mendes disputarão o Palácio Paiaguás, mas, independentemente disso, o senador já encontrou uma costela em Lula, para levar adiante seu sonho de governo em 2026 – que se acontecer quatro anos antes, muito melhor.
Nesse contexto, tem a figura do deputado federal Neri Geller (PP), pré-candidato ao Senado e até então apoiado por Fávaro.
Porém, em nome de um projeto maior Neri poderá ser jogado para escanteio, não pelo fato de ambos serem da mesma cidade, Lucas do Rio Verde, mas por conta da necessidade de costuras para viabilizar uma verdadeira guerra com Mauro Mendes, que até então disputava uma corrida sozinho e não teria como chegar em segundo lugar.
Em suma, são muitos os ataques a Fávaro nesse momento, por seu chamego com Lula, mas sem nenhuma associação à realidade política mato-grossense.
Fico fora dos ataques e da defesa do senador.
Deixo pra vocês o Fávaro vosso de cada dia.
EDUARDO GOMES é jornalista em Mato Grosso.




