Não deu em nada a tal de conferência do clima. Por ela em si não lamento absolutamente nada. Já tinha virado festa. A delegação brasileira bateu um triste recorde de maior já presente a um evento internacional. Nem nas Olimpíadas com times de esportes coletivos, como futebol (um feminino e outro masculino), basquete, handebol, vôlei etc, tínhamos conseguido tanta proeza. Mas fica o vácuo com o fim da vigência do Protocolo de Kioto, já que esta farra em Copenhague não conseguiu criar um instrumento que o substituísse. Eu tenho comigo ser tal protocolo o maior instrumento de política pública inventado pelo homem. É no caso aplicado a questão da emissão de carbono, mas poderia ser um instrumento facilmente aplicado em outras questões mundiais de alta complexidade e localizadas com envolvimento de vários atores mundiais, como por exemplo, o combate a AIDS no África Subsaariana. Ficaria bem mais producente do que as tais metas do milênio. Pois é, tem horas que penso que não substituí-lo por alguma outra coisa e deixar prescrever sua aplicação, foi uma tática dos EUA e China para manipular com o vazio criado pelo não-acordo de Copenhague. Mas a questão do clima está ficando séria. Deixou de ser científica e virou uma coisa com um jeito meio religioso. Tem os que acreditam e os que não. Tem os alarmistas e os realistas. Mas se a coisa é cientifica, fruto de observação e experimentos como ter esta divisão como se fosse fé? E o silencio dos alarmistas começa deixar em dúvida os mortais. Alguns exemplos. Em 2006 saiu um trabalho, disponibilizado na rede mundial de computadores, da Exxon-Móbil desmentindo um bando de verdades dos que defendem que o aquecimento da terra está aumentando. Duas semanas antes da conferência que está se encerrando um estudo mostrou que a temperatura do Pólo Norte, exatamente onde está a base brasileira de Comandante Ferraz caiu nos últimos 6 anos. E na última semana um estudioso brasileiro de uma universidade nordestina contestou toda a conversa de aquecimento global. E por último rolou na internet, nesta semana que passou, um vídeo mostrando uma manipulação da turma dos alarmistas. A queda das bordas de uma geleira enfatizando o descongelamento dos pólos da terra. Na verdade era o ponto turístico argentino Perito Moreno. Esta geleira tem 5 km de largura e 60 metros de altura. Épocas do ano num espetáculo presenciado por centenas de turistas que para ali se deslocam para assisti-lo, as geleiras começam despencar e depois se refazem. Tem estudos que mostram que esta geleira está aumentando de largura. Como diria Caetano, alguma coisa está fora da ordem. Segunda que passou fui num boteco no centro de São Paulo e ao sair estava frio. Era 14 de dezembro, pleno verão brasileiro que dispensa apresentações. São exemplos que mostram o contrário do tom alarmista que esta coisa de aquecimento vem assumindo. E não se vê uma articulação para contestar estas vozes. Sinto que mais que o clima o debate também está fora da ordem. Falta uma discussão acadêmica anterior ao debate político Não pode entregar para um bando de políticos um problema que ainda está esquentando na academia. Que não tem as verdades consolidadas. É da natureza do político discutir o sim ou e não. O fazer ou não. Cheios de interrogações ele não topa. É como a transposição do Rio São Francisco, ninguém entra de cabeça. E como sobra um espacinho, quero louvar a entrega ontem à Assembléia Legislativa de um relatório sobre incentivos fiscais nos últimos 15 anos em Mato Grosso feito pelo Tribunal de Contas do Estado. É uma anomalia do capitalismo brasileiro e teremos o prazer de saber quem são estes bravos capitalistas que gozam desta diferenciação fiscal. Amigo e admirador dos presidentes das duas entidades envolvidas sei que será disponibilizado para o público. * PAULO RONAN é economista
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