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ARTIGO
Quarta-feira, 04 de Agosto de 2010, 19h:29

ANA ROSA FAGUNDES

O bloco está na rua

Hoje cedo acordei com o barulho vindo de um desses carros de som na rua. Era o jingle de um candidato a deputado estadual. Do alto do quinto andar do meu apartamento, aquela música ficou na minha cabeça por alguns minutos depois do carro de som passar pela rua. Logo depois, quando tomava um café, o telefone tocou. Era uma moça muito simpática falando em nome de um candidato. Perguntou até se alguém da minha família tinha interesse de trabalhar voluntariamente para o candidato. Não, obrigada. O bloco está na rua. A campanha eleitoral começou. Desde tempos imensuráveis, a política, esse teatro de vedetes, tem sido um exercício de sedução e encenação. A exemplo do rei Luis XIV, da França, que fez do seu reinado um espetáculo. Diz a história que por toda parte havia o seu emblema de rei, um sol radioso, marco da sua “gestão” e personalidade. Seu lema era “os povos gostam de espetáculo; com isso dominamos seu espírito e seu coração”. Como não se lembrar do pão e circo dados ao povo pelos imperadores romanos. Em O príncipe, Maquiavel disse que um governante não precisava ter todas as qualidades que o povo espera dele, mas que deve se esforçar para parecer tê-las. E eu fico cada dia mais impressionada com as múltiplas qualidades dos políticos, são polivalentes, valentes pelas pólis que defendem. Tudo para nos conquistar. Mas eles, espertos, estão atendo as mudanças desse mundo moderno e nos buscam por outros caminhos, além do velho carro de som e do telefone. Essas velhas práticas de se fazer campanha convivem com ferramentas modernas, como a internet. Uma pesquisa do Ibope aponta que a penetração da internet atinge 45% da população, sendo maior que a dos jornais, com 37% e das revistas com 38%. Na Grécia antiga os cidadãos, se encontravam em praça pública para discutir e debater os assuntos da cidade. Hoje esse espaço se transformou, não há mais o contato físico, é mais raro. Cada vez mais, a ágora moderna funciona num espaço virtual. Muito se tem ouvido que esta eleição será a “eleição da internet”, puxada pelo sucesso de Barack Obama, que se tornou um fenômeno mundial e conseguiu até dinheiro para sua campanha de doadores desconhecidos, povo, gente como a gente que acreditou naquele homem. Aqui na terra dos tupiniquins os presidenciáveis também tentam usar dessa nova arma. Em solo mato-grossense, especificamente, também. Os três principais candidatos ao governo têm twitter, além de muitos outros candidato a deputado e senador que também utilizaram a ferramenta. Wilson Santos vai mais longe ao produzir vídeos irreverentes e que o coloca em situações inusitadas, como dançando street dance na praça. Alguns dizem ser uma estratégia arriscada, outros gostaram. É interessante ver como funcionam, evoluem ou regridem os processo eleitorais. Do velho carro de som aos tweets. * ANA ROSA FAGUNDES é repórter

Edição EDIÇÃO 16967




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