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ARTIGO
Sexta-feira, 30 de Julho de 2010, 20h:25

PAULO ZAVIASKY

Não proíbam as bocaiúvas

Sempre escolhi os meus candidatos em cima da hora. E, sempre chupando bocaiúvas “bicudinhas” que são as menores e mais saborosas. Fiquei traumatizado com minha primeira experiência no ato de votar. Jovem ainda, fui até a minha secção eleitoral, quase no término do horário e fiquei na fila com as cédulas dos votos escolhidos, quando resolvi dar uma olhada nos meus candidatos escolhidos uns dez meses antes. Foi aí que despertei sobre a minha burrice. Todos os caras escolhidos já não mais mereciam meu sagrado voto. Eram sacerdotes do bem no começo, mas durante a campanha mostraram suas falcatruas, foram expostas suas lambanças, denunciados e teve até um deles que estava foragido da justiça, porque descobriram que ele era o ladrão do Armazém de "Seo" Dito Rabo Teso, ali da Rua da Mandioca ou Rua Governador Rondon, a menor rua de Cuiabá e cujo nome é do engenheiro Rondon e não de nosso outro herói Rondon sertanista. E eu ali na fila, sem bocaiúvas que sempre me ajudavam a “dar o tranco” para o cérebro “pegar” e sem a lista de todos os outros candidatos. Por sorte, um desses jornais de ocasião, aqueles que apenas circulam em datas especiais onde o prefeito e o governador tem um dinheirinho a mais para pagar até os aventureiros, rolou no chão até meus pés implorando para ser lido por alguém. Tinha a lista completa. Com menos de meia hora, tinha escolhido outros candidatos. Com isso, aprendi a vivenciar a escolha. Desde o primeiro dia, escolho os melhores, a meu ver, e acompanho até o último minuto seu desempenho com os cuidados cívicos. Infelizmente, hoje tudo é bem diferente. Não há campanha política. Tudo é proibido. É proibido xingar. É proibido matar. É proibido colar cartazes. É proibido publicar notícias. É proibido cumprimentar amigos que são candidatos. É proibido candidato ajudar acidentado grave transportando-o até um emergência médica. É proibido beber nas eleições. É proibido ter amigos candidatos e vice-versa. É proibido proibir... Só falta proibirem de chuparmos bocaiúvas! Enquanto isso, paradoxalmente, aqueles que possuem a máquina administrativa nas mãos podem tudo. Lula disse que ele fala sobre a Dilma, a ministra, e não Dilma candidata. Ora, ora... Dilma, a ministra inaugura obras e mais obras e lança satélites brasileiros nos ares do universo e discursa dez milhões de vezes como ministra. E, ainda fala que jamais “falarei como candidata”... Por que? Acho que deveria, sim, falar bem mais. Como candidata. O mundo estarrecido está chateado com Lula que até já foi chamado de “o cara”, porque ele abraçou a causa da bomba atômica do Iraque e se esqueceu de nós mesmos que temos até hoje a sucata alemã da terra de seu comprador general Geisel, ali em Angra dos Reis (RJ). O maior elefante branco brasileiro, apenas comparada aos estádios que já estão demolindo, lá da África enganada pela FIFA e pelo mundo da máfia do futebol. E, agora, o supremo problema com a Venezuela e a Colômbia, em que Lula reconhece apenas um lado, o das FARC – Forças Armadas Revolucionárias Colombianas que vive apenas de uma fonte de renda que é o narcotráfico. O atual sistema brasileiro liga o liquidificador e estraçalha os inconvenientes e filtra o suco limpo ofertado à candidata oficial que atua como ministra na cara do Ministério Público do Brasil, dos supremos, dos superiores, das excelências, das majestades, dos soberanos, dos magnânimos – todos nomeados pelo rei que pensa que está vestido! Bem, vamos esperar. Sei apenas que, de cara, nos primeiros debates, Dilma vai abafar, pois o Serra, na imagem perde feio. E bota feio nisso aí. Ele, aparência de Frankstein e ela, de um brotinho bonitinho da época dos anos dourados. Se o Serra confiar apenas no Ìndio e não fizer também doze operações plásticas emergenciais...Sei não! Só torço para não proibirem nestas eleições o direito universal que temos em saborear as bocaiúvas bicudinhas de Cuiabá e Poconé. * PAULO ZAVIASKY é jornalista [email protected]

Edição EDIÇÃO 16963




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