Sempre escolhi os meus candidatos em cima da hora. E, sempre chupando bocaiúvas bicudinhas que são as menores e mais saborosas. Fiquei traumatizado com minha primeira experiência no ato de votar. Jovem ainda, fui até a minha secção eleitoral, quase no término do horário e fiquei na fila com as cédulas dos votos escolhidos, quando resolvi dar uma olhada nos meus candidatos escolhidos uns dez meses antes. Foi aí que despertei sobre a minha burrice. Todos os caras escolhidos já não mais mereciam meu sagrado voto. Eram sacerdotes do bem no começo, mas durante a campanha mostraram suas falcatruas, foram expostas suas lambanças, denunciados e teve até um deles que estava foragido da justiça, porque descobriram que ele era o ladrão do Armazém de "Seo" Dito Rabo Teso, ali da Rua da Mandioca ou Rua Governador Rondon, a menor rua de Cuiabá e cujo nome é do engenheiro Rondon e não de nosso outro herói Rondon sertanista. E eu ali na fila, sem bocaiúvas que sempre me ajudavam a dar o tranco para o cérebro pegar e sem a lista de todos os outros candidatos. Por sorte, um desses jornais de ocasião, aqueles que apenas circulam em datas especiais onde o prefeito e o governador tem um dinheirinho a mais para pagar até os aventureiros, rolou no chão até meus pés implorando para ser lido por alguém. Tinha a lista completa. Com menos de meia hora, tinha escolhido outros candidatos. Com isso, aprendi a vivenciar a escolha. Desde o primeiro dia, escolho os melhores, a meu ver, e acompanho até o último minuto seu desempenho com os cuidados cívicos. Infelizmente, hoje tudo é bem diferente. Não há campanha política. Tudo é proibido. É proibido xingar. É proibido matar. É proibido colar cartazes. É proibido publicar notícias. É proibido cumprimentar amigos que são candidatos. É proibido candidato ajudar acidentado grave transportando-o até um emergência médica. É proibido beber nas eleições. É proibido ter amigos candidatos e vice-versa. É proibido proibir... Só falta proibirem de chuparmos bocaiúvas! Enquanto isso, paradoxalmente, aqueles que possuem a máquina administrativa nas mãos podem tudo. Lula disse que ele fala sobre a Dilma, a ministra, e não Dilma candidata. Ora, ora... Dilma, a ministra inaugura obras e mais obras e lança satélites brasileiros nos ares do universo e discursa dez milhões de vezes como ministra. E, ainda fala que jamais falarei como candidata... Por que? Acho que deveria, sim, falar bem mais. Como candidata. O mundo estarrecido está chateado com Lula que até já foi chamado de o cara, porque ele abraçou a causa da bomba atômica do Iraque e se esqueceu de nós mesmos que temos até hoje a sucata alemã da terra de seu comprador general Geisel, ali em Angra dos Reis (RJ). O maior elefante branco brasileiro, apenas comparada aos estádios que já estão demolindo, lá da África enganada pela FIFA e pelo mundo da máfia do futebol. E, agora, o supremo problema com a Venezuela e a Colômbia, em que Lula reconhece apenas um lado, o das FARC Forças Armadas Revolucionárias Colombianas que vive apenas de uma fonte de renda que é o narcotráfico. O atual sistema brasileiro liga o liquidificador e estraçalha os inconvenientes e filtra o suco limpo ofertado à candidata oficial que atua como ministra na cara do Ministério Público do Brasil, dos supremos, dos superiores, das excelências, das majestades, dos soberanos, dos magnânimos todos nomeados pelo rei que pensa que está vestido! Bem, vamos esperar. Sei apenas que, de cara, nos primeiros debates, Dilma vai abafar, pois o Serra, na imagem perde feio. E bota feio nisso aí. Ele, aparência de Frankstein e ela, de um brotinho bonitinho da época dos anos dourados. Se o Serra confiar apenas no Ìndio e não fizer também doze operações plásticas emergenciais...Sei não! Só torço para não proibirem nestas eleições o direito universal que temos em saborear as bocaiúvas bicudinhas de Cuiabá e Poconé. * PAULO ZAVIASKY é jornalista
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