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ARTIGO
Sexta-feira, 15 de Março de 2013, 21h:40

TÂNIA NARA MELO

Mulheres

No dia 8 de março comemoramos o Dia Internacional da Mulher. Nos quatro cantos do planeta as mulheres foram homenageadas e também protestaram contra a discriminação das quais ainda são vítimas em muitos países. É verdade que ao longo das últimas décadas conseguimos muitas vitórias. Hoje, nossa participação no mercado de trabalho e na economia do país é altamente significativa, mas não podemos negar que ainda assim temos muitos obstáculos a vencer, pois a grande maioria das mulheres, apesar de capacitadas profissionalmente, recebe salários até 40% menores que os dos homens. Sem contar que boa parte delas cumpre dupla jornada de trabalho, pois as tarefas domésticas e a educação dos filhos são incumbências que a sociedade lhes delega naturalmente, quer queiram ou não. Apesar dos avanços, as mulheres ainda sofrem com a discriminação e muitas vezes são submetidas a constrangimentos. Esta semana o edital de um concurso público para o ingresso na Polícia Civil na Bahia chamou a atenção e provocou revolta e indignação. Entre os itens do edital, no que diz respeito a exames pré-admissionais, faz-se exigência de exames ginecológicos, com avaliação detalhada, às candidatas a delegada, escrivã e investigadora. Ficam dispensadas as mulheres com hímen integro. Elas, no entanto, devem comprovar a virgindade por meio de atestado médico assinado, com carimbo e CRM do profissional de saúde. Para os candidatos do sexo masculino não foi exigido nenhum teste específico sobre a saúde do aparelho reprodutor. Nada mais constrangedor e discriminatório. Ainda temos muitos muros a serem derrubados quando o assunto é discriminação. A Bahia não está sozinha nesse caso, pois outros concursos no Brasil apresentam texto semelhante no edital. É o caso dos processos seletivos para o Corpo de Bombeiros do Distrito Federal, realizado em 2011, para o Departamento de Ciência e Tecnologia Aerospacial do Ministério da Defesa, ainda em aberto, e para a Secretaria Estadual de Educação de São Paulo, realizado no ano passado. Triste constatação. Além dessa discriminação velada, ainda convivemos com o registro de inúmeros casos de violência doméstica. Em que pese a conquista da Lei Maria da Penha, todos os dias os noticiários ainda trazem casos de mulheres agredidas por seus maridos e companheiros, e não são poucas as vezes que suas vidas são ceifadas de forma brutal. Violência que não escolhe idade, cor, raça ou classe social. Avançamos, é verdade, mas ainda não chegamos nem na metade do caminho. Temos muito a conquistar. Queremos e merecemos mais respeito e mais direitos! TÂNIA NARA MELO é editora de Opinião do Diário [email protected]

Edição EDIÇÃO 16966




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